Trenó no Fusca

Tarde de sol e calor: 18 de dezembro de 2012. Cheguei ao local marcado com 20 minutos de antecedência. A pontualidade exagerada foi elogiada pela família do entrevistado. Papeamos e logo de cara ficamos à vontade. Tomei suco e, além de Natal — o assunto em pauta — falamos sobre a nossa cidade. Eu estava diante do Sr Thomaz Fidalgo (Papai Noel), a esposa Rita e o filho Rodrigo. O encontro foi em uma casa na Vila Amorim, em Suzano. Eu fui lá para contar a história do homem que havia transformado o próprio Fusca em um trenó.

O frescor da casa grande e arejada bloqueou o calor que derretia o asfalto lá fora na Avenida Brasília. Rodrigo, o filho do Papai Noel, e dona Rita, a esposa, me trataram como se eu fosse da família. Logo percebi que o clima de amor ali dentro era bem típico da casa de um Bom Velhinho.

Me senti diante de um Papai Noel de verdade. Ele me mostrou a ‘engenhoca’ na garagem da casa: um trenó construído sobre o chassi de um Fusca. É naquele veículo que o aposentado sai pelas ruas de Suzano entregando brinquedos. Ele ainda participa de ações em escolas e instituições da cidade. Lembrou que já tinha sido entrevistado pela TV Diário em anos anteriores. Uma reportagem feita pelo companheiro de trabalho William Tanida.

Saímos na rua e ele logo foi abordado por crianças e adultos. O trânsito parou na avenida para que ele manobrasse o trenó. Todo mundo buzinava para cumprimentar o Bom Velhinho que, àquela altura, já estava vestido à caráter.

Fizemos a entrevista, tiramos fotos e acabei ganhando amigos. Até hoje ainda falo com o Rodrigo e dona Rita por meio do Facebook. Seu Thomaz não tem perfil na rede social. Antes de ir embora, ainda fiz uma foto com o protagonista da matéria. A minha polo vermelha combinou com a roupa dele e me fez esquecer um pouco do calor delirante. Naquela tarde quente eu cheguei a conclusão que para se tornar um Bom Velhinho é preciso ter dom. Desde então passei a acreditar em Papai Noel.