ABSTINÊNCIA

Estou a algum tempo sem vomitar.

Vomitar palavras.

Puxo a cadeira, pego a caneta e nada aparece em minha mente.

Antes, até poucos dias atrás, minha caixa de pensamentos era tão turbulenta quanto uma zona de guerra. Cada idéia era um fuzilamento. Cada história nova, passava voando por mim como as balas passam pelo céu daquelas terras sofridas, e como as pobres almas que ali combatem, eu era atingido. Uma torrente de frases, palavras, rimas escorriam pelas minhas mãos até o papel virgem.

Agora, isso aqui esta muito parado.

Me sinto em um deserto. Onde as ideias são pequenos lagartos, que as vezes aparecem, mas rapidamente se escondem nas profundezas da areia fina. Não consigo materializar nenhuma história. Estou tão vazio quanto as prisões da Islandia. Tão vazio quanto o polo norte.

Frustração e irritação. Isso é o que você ganha com abstinência das palavras.

Enfim.

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