AUSÊNCIA

Night (Edvard Munch, 1890)

Apagou-se o brilho
Deixei-me esquecer
Fiz comigo
O que a cegueira fez com Monet

E eu sinto a falta
De ser sentido
De fazer algum sentido
Na vida de outro indivíduo

Falta essa que se revela passageira
Como garoa de verão
Passageira como o rosto esquecido 
Que me olhou daquela janela pequena

Volta e meia
Lá pelo meio da noite
Quando a dama se faz presente
Eu me esqueço de toda gente

E cubro meu rosto com aquele esboço
De felicidade
Que um dia fez parte
De nossas vidas, em alguma tarde quente de dezembro.

E nesse momento
Aquele sentimento
Que antes era frequente
Torna-se mais uma vez, ausente.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated DOUGLAS’s story.