BUSCA

Não consigo entender as coisas que vejo

Pergunto-me se elas realmente existem

Se elas habitam a realidade

Pergunto-me ainda se esta realidade

É de minha autoria e, portanto, existente apenas em meu intimo.

Ou se ela é a mesma para todos à minha volta


Vou mais adentro e chego a ver o norte de meu ser

Visões irreais se espalham

Sorrisos amarelos dados ao longo da vida

Apertos de mãos frouxas balançam a minha frente

Conheço todos estes pontos

Pessoas que tiveram parte de mim em alguma fração do tempo

Delas sobraram apenas esses momentos.

Onde foi parar o restante delas?

Para onde foram as partes de mim que cada uma delas roubou?

Elas existiram além desses momentos?


Vejo meu corpo em diversas situações

Consigo segui-lo para onde vai

Vejo as formas em meu rosto

O meu olhar mascarado pela tristeza

Mas que é vazio, em sua essência.

Meu sorriso que tanto aprendi a fingir

Usado exaustivamente por toda a minha existência


Sempre fui passageiro

Nunca conduzi nada

O controle da vida nunca fora meu

E se a vida deixasse ser controlada

O que eu, jovem incoerente e perdido, absorto em medos e alucinações, faria dela?

Escolheria o caminho mais escuro ou mais claro?

O mais escuro, é claro.

A claridade do mundo ofusca o brilho da nossa mente

Isso explica o porquê quartos escuros em meio à madrugada

São lugares ideais para se perder dentro de si mesmo


Mas como passageiro que sou

Minha única visão é a do retrovisor

Que mostra só o que passou

E não ficou

O que se perdeu

O que você anseia em tocar

Mas nunca será seu

A felicidade que fica pra trás

O medo que ainda te persegue

E te faz fraquejar


Estou no norte

Sinto o cheiro da morte

Ela sempre fica por perto

Ronda sua presa

Mas dentre todas as criaturas, é de longe, a mais paciente.


Ela espera

Esperou-me

Vai esperar outro

E esta esperando você que esta lendo também

Ela esta ai

Do seu lado, por cima, por baixo, dentro de você.

Ela vive a nossa vida

Ela é amiga

É a única companhia

No momento em que somos deixados sozinhos

Ela é só mais uma obrigação que todos nós temos que cumprir

É burocracia pura


Mas quem sabe o que é a morte?

Diriam que os mortos sabem, mas duvido disso.

Será que eles sabem a fisionomia da morte?

Acredito que no momento em que deixam a vida

Estão muito desesperados para prestarem atenção nesses detalhes pequenos.

Nunca saberemos


Nunca entenderemos nada

Só continuaremos a nos enganar

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