ODISSEIA DE JOAQUIM

Joaquim era um prego
Desistiu do teu sonho
Na primeira falha
Estava fadado a murchar
Como a flor murcha
Após ser presenteada
Por algum namorado iludido

Joaquim era um martelo
Que, diariamente, martelava a solidão.
Definhava na escuridão
Imerso nos olhos
Cheios de ilusões
E como clarões
A porta da insanidade
Abria-se para ele
Todas as manhãs

Joaquim era uma madeira
MORTA
Como a madeira falecida
Que sustenta o corpo enrijecido e frio
Do Antonio Carlos
Que continuara deitado
Até que a morte se canse de sua cara

Joaquim era o nada
A folha seca que é pisada
Que ao som do estralo
Fora partida em pedaços

Joaquim era o deserto
Povoado de medos
Joaquim era o mar
SECO

Joaquim era homem
Era pobre e filho
Era pai e irmão
Joaquim era
Não é mais

Joaquim foi
É
E talvez
Em alguma
Tarde abafada
De verão
Ele
SERA

Espero que seja