É possível ser uma douta criança na fé

No livro de Hebreus, do Novo Testamento, final do capítulo cinco, o autor termina o assunto com uma constatação dura, mas infelizmente real àqueles cristãos. E real à muitos outros hoje também. Chega um momento no texto que o autor, ao seu ver, simplesmente não pode continuar. Não porque já tivesse dito tudo que gostaria, mas porque os seus destinatários não estavam preparados como deveriam para ouvir mais:

“A este respeito temos muito que dizer, mas de difícil interpretação, porque vos tornastes lentos para aprender. Com efeito, devendo já ser mestres, por causa do tempo decorrido, ainda necessitais de que vos torne a ensinar os princípios elementares dos ensinamentos de Deus; e vos tornastes como necessitados de leite, não de alimento sólido. Ora todo aquele que ainda se alimenta de leite não está apto a ensinar a palavra da justiça, porque é criança. O alimento sólido, porém, é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem quanto o mal.” (Hebreus 5:11–14)

Como aplicação, esse texto é bastante atual. Hoje impera o tempo do autoengano. As pessoas sabotam a si mesmas no que diz respeito ao conhecimento de Deus. Confundem maturidade com conhecimento teológico, informação com adquirir entendimento. Fazem das Escrituras uma mera ferramenta e objeto para exesege, um “bate-cartão” de leitura como se isso, em si, dissesse muita coisa. Deixam de vê-la como a Palavra inspirada de Deus. Por fora se portam como maduros e teologicamente corretos, mas por dentro são doutas crianças na fé, ainda necessitam de leite. Muito tempo já havia decorrido na caminhada daqueles cristãos do livro de Hebreus, mas ainda assim careciam do alimento sólido, precisavam se concentrar nos “princípios elementares”. Dito isso, é interessante refletirmos sobre algo: a fé cristã não condena a erudição teológica; aliás, pode-se afirmar que esta é uma das características dela. A erudição teológica jamais deve ter um fim em si mesma, pois o seu foco é sempre glorificar a Deus. Mais do que uma questão intelectual, a fé cristã diz respeito aos comprometimentos do coração. A pergunta é: onde está o coração dos homens? (Mt 6:19–21).

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