Jogando meu corpo no mundo…

Cheguei recentemente de minha segunda viagem caronando. E assim como na primeira vez, o destino escolhido foi Minas Gerais.
Saí de Amparo-SP na quarta-feira(22/02) por volta das 17h00, com Djalma, um caminhoneiro que saía de uma fábrica local com destino à Betim-MG.
A carona com ele fora até um posto de gasolina da Fernão Dias, um pouco antes de chegar em Perdões-MG. 
Já passavam das 02h00 de quinta, quando eu me deitava para dormir, num quiosque destinado a socialização dos caminhoneiros. 
Acordei cedinho, com uma lua incrível sorrindo para mim. Tomei um banho, e fui conversar com o pessoal que estava no posto. Minha intenção era conseguir uma carona para Lavras-MG.
Conheci Jorge, um mineiro super gente fina que me indicou que seria melhor ir para o trevo de Lavras para conseguir a carona desejada, e se dispôs a me levar até lá. Cheguei no trevo e esperei coisa de 15 minutos, até chegar mais um viajante e 5 minutos depois, mais uma. Logo em seguida, um ônibus escolar parou, e nós três subimos. As crianças nos escaneavam com olhares curiosos, e foi assim até a chegada em Lavras.
De lá, caminhei até a saída da cidade e consegui uma carona para São João Del Rei-MG, onde eu precisava passar para concluir minha matrícula na UFSJ.
Não me recordo o nome do motorista(arrgh, memória péssima e falta de bloquinho), mas o papo fluiu e me senti super em casa. O moço é pai de um rapaz que está ingressando num curso de Artes Visuais na UFMG, e que inclusive, passou na Unesp em Bauru, onde fui aluno.
Ele me deixou dentro da universidade. Foi incrível!
Depois dos trâmites, fui para frente da Igreja de São Francisco de Assis e tomei um ônibus para a saída da cidade, parei num ponto bem tranquilo de carona, as Mangueiras. 
Lá peguei uma carona com Tony, para Ouro Preto-MG, onde eu encontraria minha companheira.
Tony tem mais de 60 anos, e estava indo acampar em São Bartolomeu, um distrito de Ouro Preto. Era o aniversário dele e ia só, buscando tranquilidade durante o carnaval. Achei super massa!
Ele insistiu demais para que eu fosse junto. Disse que eu podia levar minha companheira, e que seria legal dividir o momento conosco, mas eu e Bárbara já tínhamos um plano de viagem.
Chegamos em Ouro Preto, nos despedimos e tomamos caminhos opostos.

Ah, Ouro Preto! Terra de meu tesouro…
Estava com muita saudade de Bárbara. Nos reencontramos e passamos o resto do dia juntos.
Na sexta-feira saímos cedo, estávamos indo para Carrancas-MG. 
Embarcamos num ônibus até a saída da cidade e lá estendemos as plaquinhas e os dedões.
Márcio e Gena pararam e nos deram uma carona excepcional. Um casal maravilhoso que iria passar o carnaval em Monte Verde-MG e que nos levaram até Itutinga-MG, a 25km de Carrancas. Estávamos quase chegando, e só precisamos de mais uma carona para isso. Maria nos levou de Itutinga até o centro de Carrancas. 
CHEGAMOS!!!
Fomos direto para uma padaria, abastecer nossas águas e trocar ideia com o pessoal local. E conhecemos Lucimar, que nos aturou durante todos os dias em Carrancas. Ela nos indicou uma cachoeira bem próxima dali, a Tira-Prosa, e lá fomos, lavar a alma e o corpo.
Voltamos para a cidade e ainda não sabíamos onde iriamos ficar alojados. A ideia era conseguir um sofá amigo, e por hora, só havíamos conseguido um terreno para armar nossa barraca. Só existia um problema, chovia e eu não tinha lona.
Decidimos caminhar pela cidade.
E nesse momento, aconteceu mais um desses encontros malucos do universo…
ANDRÉ!!! 
Sentamos num banquinho em frente a um bar, e de imediato, André puxou assunto conosco. Ele dizia ter nos visto na Tira-Prosa, e disse ser dono das terras que a cercam. Perguntou se a gente tinha pouso. Dissemos que não. Então, ele nos ofereceu o curral para armarmos a barraca.
Apontou pro banco da frente e disse:
“Os gringos ali também vão pra lá!”
Eram Anthony e Raid, um mexicano e uma alemã. 
Fomos todos no fusquinha de Ângelo, sobrinho de André.
Lá estávamos de novo, na Tira-Prosa.
Fomos acolhidos por Cielo, outro viajante agregado na casa de Ângelo e André. Um rapaz com uma energia estrondosa. 
Ficamos por lá trocando ideia, até a chegada de mais duas viajantes, uma dupla de argentinas, que eram amigas de Anthony e Raid. Os quatro estão viajando há 2 meses de carona pelo Brasil.
Logo após, chegou Ana. Vizinha dos meninos, e percebendo a lotação da casinha, nos convidou para ir para a casa dela. Ofereceu um quarto com cama de casal, chuveiro quente e tudo mais… Aceitamos!
Pra quem chegou sem lugar pra ficar, estávamos no céu.
Uma casa mega charmosa e aconchegante, cercada de muito verde.
COISA DE LOUCO! ❤ 
Ana mora com seu filho Kainã Odé, de 8 meses. Uma fofurinha!
Foi maravilhoso.
Conhecemos pessoas e lugares incríveis. Pegamos muitas caronas da cidade até as cachoeiras. As cachoeiras de Carrancas são espetaculares! 
Passamos 5 dias na cidade, e foram os dias mais rápidos da vida. 
Logo era dia de cair na estrada…
Acordamos cedo na quarta-feira de cinzas e fomos para a saída da cidade. 
Conseguimos uma carona até um posto de gasolina da 040, com um casal carioca. Maneirosíssimos, bicho! 
Paramos num lugar horrível de conseguir carona. Depois de duas horas de dedão(o período mais longo de espera), decidi abordar um carro que abastecia. Era Paola e seu irmão, voltavam do Rio de Janeiro para BH. Ela ficou receosa mas decidiu nos dar a carona.
Batemos papo durante a viagem e eles reconstruíram as ideias sobre dar caronas.
Nos deixaram na entrada para Ouro Branco(MG), onde ficamos algum tempo, até conseguir uma carona que nos levou direto para Ouro Preto.
Para Bárbara, a viagem acabava. Mas eu ainda estava longe de casa.
Passamos a quinta-feira(02/03) juntos. Parti no dia seguinte.

De Ouro Preto consegui uma carona até a 040, onde tive que caminhar alguns quilômetros até a MGC-383.
Uma hora depois, embarcava no velho novo carro de Robson, que me deixou em Prados-MG. 
Outra carona me levou até São João Del Rei, e dentro de São João outra até a BR-265. 
Ali consegui uma carona com um caminhoneiro doidão, e confesso que fiquei com medo. Ele parecia estar chapado e tinha um papo com uma vibe bem ruim, e apesar dos pesares, me deixou exatamente no posto onde eu havia dormido na primeira noite de viagem, na Fernão Dias.
Onde de novo eu tomei um banho e fiquei por um tempo. 
Depois de muita prosa e um bom cigarro de palha com o Magrão, o frentista mais gente boa de Minas. Consegui uma carona de volta para Amparo-SP, com Jorginho, que trabalha na mesma empresa que Djalma, a primeira carona da viagem.
Cheguei em casa na madrugada de sábado. E ainda não consegui processar e digerir tudo o que vi e vivi.
Foram experiências únicas.
Só consigo pensar em Mistério do Planeta, dos Novos Baianos.

“ Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso
Jogando meu corpo no mundo
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros”

Ah, essa tal de lei natural dos encontros… ❤

GRATIDÃO A TODOS OS ENVOLVIDOS!!!
OBRIGADO, UNIVERSO!!!

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