Spoiler alert: Passengers é sobre uma relação bizarramente nociva
Maria Clara Bubna
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Excelente crítica e avaliação do filme, realmente muito bem escrita. Eu não assisti. No entanto, pelas avaliações (não apenas a sua, mas outras semelhantes que eu li recentemente), fica claro que o papel do filme é justamente levantar essa discussão. Essa é a história a ser contada, uma história que já se repetiu muitas vezes na vida real… então antes de criticarmos o fato de a história sendo contada em uma ficção é certa ou errada, temos que pensar que é apenas uma história, e pode ser sobre um homem sem noção e uma mulher conformada, como poderia ser ao contrário, como vários outros filmes demonstram.

Entendo que um de seus pontos seja justamente o fato de a indústria do cinema ser basicamente controlada por homens (há poucas diretoras, donas de estúdio e mulheres em posição de liderança nessa indústria), mas nos últimos anos temos visto uma presença feminina cada vez maior nessa tomada de decisão. Lembremos da recém-falecida “Princesa Leia”, que aos olhos do público era apenas uma atriz, mas que nos bastidores fez profundas modificações no roteiro do filme e nos diálogos de sua personagem, aceitas pela direção, que tornaram a Princesa Leia uma personagem muito mais icônica e participativa, dando o ar de “mulher forte e independente” que precisávamos ter no cinema. Torcemos para que esse tipo de atitude continue presente nas atrizes.

J. Lawrence foi protagonista em uma trilogia aclamada no qual o papel principal era de uma mulher muito mais corajosa do que qualquer homem daquele cenário. Como se não bastasse, naquela trilogia o vilão é um patriarca nato, malvado e injusto, enquanto a presidente dos rebeldes libertadores da justiça era uma mulher. Não há nenhuma crítica que se possa fazer em relação a isso, pois essa é a história a ser contada por aquela trilogia.

Nesse caso específico, eu diria que o filme tem méritos por tomar essa abordagem, pois justamente levanta a discussão sobre a possessividade, relacionamentos abusivos, dominação… a forma como a história é colocada (no meu caso, pelo ponto de vista das críticas, já que não assisti) forma uma analogia com relacionamentos reais que com certeza fizeram muitas mulheres repensarem seu papel nesses relacionamentos… quantas não largaram seus sonhos, seus planos, suas carreiras, em nome do “amor”? No meu ver, é um questionamento necessário e que não viria a tona com uma outra abordagem. Prova disso é a quantidade de mulheres inteligentes, fortes e independentes (como você) que não aceitam a forma de pensar da personagem e discursam sobre o tema.

Meu apelo é que não se critique o filme em si, mas a realidade que ele representa.

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