24 horas

Tenho batido na tecla do quanto a verdadeira mudança que tanto sonhamos está mais em nós do que nos outros. Ela passa bem longe do conforto de quem espera que tudo caia do céu ou que, de alguma outra forma mágica, passemos a usufruir de um mundo mais justo e ponderado, sem muito esforço ou entrega como ponto de partida.

Essa letargia, covardia, prepotência ou como quiser chamar, acentua em nós aquilo que está longe de ser uma novidade… Que não é à toa, fora toda explicação biológica, que temos dois ouvidos e uma só boca; que quando apontamos um dedo para julgar alguém, outros três estão mirados em nossa direção; ou ainda que em boca fechada não entra mosquito. Minha avó curtiu isso (y)!

Proponho que agora, e durante pelo menos as próximas 24 horas, tentemos esquecer um pouco aquilo que nos desgasta, os defeitos que nos saltam os olhos, as características que nos fazem tremer de raiva ou perder o sono. Mudemos o foco só um pouco das batalhas que andamos travando diariamente sem sucesso.

Ei, você! Esqueça o PT, o PSDB, a Rede Globo, a Folha, os petralhas, coxinhas, Temer, Dilma, Lula, Alckmin ou Doria… Não lembre da politicagem e jogo de interesses que desenham o nosso futuro, que definem a nossa essência, moldando mau-caratismos e banditismos. Pare de falar nas fobias, a procurar por tragédias, a analisar tudo com o copo vazio. Que tal? E o mais importante: use toda a energia economizada, a força acumulada, por quem está do seu lado. Isso, olhe para o lado… É por ele, por ela, que você irá viver hoje!

Seu colega de trabalho, amigo de escola, namorado, namorada, marido, sua esposa, seus filhos, pais, avós, tios e primos. Mostre interesse pela vida do vizinho, demonstre preocupação sincera com a vida de quem está na portaria, de quem limpa a sua casa, o escritório, que te conduz até o trabalho ou te atende no supermercado. Tenha educação, carinho, atenção… Ouça. Ouça mais. Peça detalhes e ofereça um lenço, o ombro amigo, ajudando a extrair amarguras, tristezas e rancores.

Não ignore quem sofre enquanto somos pura frustração por viver em uma sociedade imperfeita. Entenda-se como parte dela! Esteja disponível para entregar um pouco de si, do seu tempo, para esse felizardo, essa sortuda, e perceber que, no fim das contas, quem teve a sorte de viver uma vida mais conectada à realidade foi você. Renove sua disposição a amar e não tenha receio de ser mal compreendido(a) por querer saber se está tudo bem, se está MESMO tudo bem. Que seja por 24 horas, por mim e por você. É um exercício e é fantástico, você vai ver.


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