O ponto final

Junto com os espaços vieram pontos simples separando palavras que já nasciam perdidas. Depois, juntas, formavam ideias que logo eram encadeadas, compostas. Umas com um poder de transformação que vocês não fazem ideia… De desdizer o colocado, de intensificar e até de enfraquecer o poder de que as manipula. Podiam aumentar ou diminuir tudo, de coisas a pessoas! Era movimento, ação, nomes, qualidades e ligações. Era conexão!

Direta ou indiretamente, elas viravam frases que podiam dizer muitas coisas, mas que requeriam também a presença de outrem. Parágrafos extensos, páginas e mais páginas preenchidas do que era processado (ou não!) em nossas mentes. Textão.

Surgiu mais ou menos na mesma época a necessidade de comemorar, de questionar, de lamentar, de divagar e também de parar. Era o tempo que se dava para o respiro, uma chance para concluir um raciocínio e mudar de assunto ou terminar uma história. Era barulho e silêncio nem sempre no fim.

Tornou-se comédia, drama, suspense e puro terror. Virou afago, consolo até descobrirem também que poderia letal. Mal empregadas viraram armas e abriram margem para interpretações, muita incompreensão. Pessimamente colocadas iam direto dos olhos para o coração até que contaminavam a alma. Não restava mais pureza ou tolerância na oração. Foi mais ou menos assim que eu aprendi, meio aos trancos e barrancos, o significado escondido numa palavra tão nova quanto perigosa: postar. De carona e sem querer veio o frustrar, o brigar até o perder. Era um jeito diferente de colocar ponto final nas coisas.


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