Megalômanos e desesperados

Vivemos na geração dos grandes reis do mundo. Homens que, a todo custo, alcançaram os maiores patamares em suas profissões e ostentam em seus discursos a garbosidade de reis do universo. Fomos ensinados desde pequenos que é mister a busca por crescimento, que a realização profissional sanaria todos os nossos problemas pessoais, que o bom salário é a cura de todas as doenças. Aprendemos que se quisermos ser alguém na vida temos de dispensar tudo aquilo que é supérfluo ou interfira em nossos objetivos, porém, elevamos isso à décima oitava potência e concluímos que qualquer coisa para interferir em nossos objetivos, ou seja, família, relacionamentos, amizades, enfim, tudo…

Nossa geração é composta por megalomaníacos, pessoas que de tanto ouvirem que são o futuro da nação realmente acreditaram que o andamento do país se dará apenas por elas. Uma geração que acredita que o centro de todas as atenções é o seu devido lugar, afinal, qualquer centímetro longe do centro é um “marginalizado”. Aprendemos a ter um certo gosto nostálgico pelas coisas do passado, mas com aquela margem de segurança que deixa clara: “Vocês lá e eu cá”. Tudo o que é do passado serve apenas para ser lembrado, porém, somos treinados para o futuro. Preparados para todo tipo de avanço tecnológico, assim nos sentimos, mesmo que tomemos um “baile” de nossos sobrinhos de três anos em um smartphone, ainda assim temos a necessidade frenética de estarmos por dentro da última moda. Somos a geração leite com pera, empinando pipa em apartamento e brincando de surf no carpete de casa. Uma geração que, ainda quando criança, brincava até perder o tampão do dedo mas acovardou-se. Encontramos nossas delícias em nossos cargos e profissões, ostentando aos olhos do mundo como ralamos duro para chegar ao topo. Nossa maior felicidade deixou de ser o biscoito mergulhado no café numa tarde chuvosa assistindo desenhos animados, damos lugar à planilhas em excel e relatórios analíticos. Somos uma geração que em proporção à nossa megalomania é o nosso desespero.

Somos desesperados para viver uma vida cheia de aventuras sonhadas de nossas cadeiras, porém, desesperamo-nos mais ainda para ter dinheiro para tais aventuras. Buscamos com fissura juntar o quanto for possível de dígitos em nossa conta bancária para gastar quase 40% em médicos que recuperem nosso estado emocional. Somos fissurados em séries no netflix que mostrem-nos homens bem sucedidos, somos o Frank Underwood de nossas vidas. O maior desespero de qualquer um dessa geração é chegar aos quarenta anos sem ter conquistado, no mínimo, o mundo. Como a maioria de nós não consegue efetivamente, tomamos este título por usurpação e nos tornamo um dono sem posse.

De quem seria a culpa por essa geração de bem sucedidos tão fracassados? Quem tornou-nos tão ricos a ponto de sermos tão pobres? Quem mentiu para nós, dizendo que podemos conquistar qualquer coisa e mandar em todos? Talvez essa resposta esteja mais clara do que imaginamos, afinal, nossa pretensão e realidade chocam-se sempre no mesmo lugar…