Óculos de realidade virtual e aumentada: uma evolução tecnológica ou apenas mais uma bugiganga?

O mercado agora apresenta o que promete ser mais um avanço no conceito de tecnologia, que são os óculos realidade virtual e aumentada. No entanto será que eles são realmente revolucionários diante da cultura digital?

Segundo Castells: “um dos elementos da cultura digital consiste na habilidade para comunicar ou mesclar qualquer produto baseado em uma linguagem comum digital e isso os produtores dos óculos estão prometendo nos vídeos divulgados na internet”. Entretanto essa história de realidade virtual e aumentada não é nenhuma “novidade” no mercado que envolve tecnologia.

A empresa japonesa de games, Nintendo, em 1995 lançou o Virtual Boy, o console portátil que prometia imagens em 3D e aprofundar a experiência de realidade virtual. Todavia foi um fracasso em vendas, a propaganda prometia muito e o produto oferecia quase nada, a tela do portátil apresentava apenas duas cores (vermelho e preto), uma pequena quantidade de jogos e qualidade dos games era pior em relação ao Super Nintendo (outro videogame da mesma empresa).

Além disso, o Virtual boy causava dores de cabeça em seus jogadores, caso jogassem por várias horas. Diante disto, a Nintendo recomendava uma pausa entre 10 a 15 minutos nos jogos, com a intenção de reduzir a cefaleia. Após um ano do seu lançamento, o Virtual Boy deixou de ser vendido.

Outro produto que prometia muito e não entregou as funcionalidades de forma correta para o usuário final foi o Google Glass. No ano de 2012, a empresa Google anunciou o seu novo óculos através de um vídeo disponibilizado no YouTube, chamado Google Glass Project.

Em maio de 2014, o Google Glass foi lançado no mercado, porém só foi disponível à venda nos Estados Unidos. Diferente do que foi mostrado no vídeo, o produto final chegou com visor bem menor do que era realmente esperado, ficava apenas em uma das lentes, na parte superior a direita no olho do usuário. Outro fator desfavorável ao produto foi pouca quantidade de aplicativos, os desenvolvedores tiveram dificuldades para produzir grandes funcionalidades para o acessório.

Assim como o Virtual Boy, após um ano de lançamento, a empresa Google suspendeu as vendas do Google Glass por prazo indeterminado.

Mesmo com esses dois casos, a indústria tecnológica não desiste e a apresenta mais um produto que promete “revolucionar”. Durante a Electronic Entertainment Expo 2015, a Microsoft apresentou de forma mais prática as funcionalidades dos seus óculos de realidade aumentada, o HoloLens, junto com o game Minecraft.

Mas desta vez, quem teve a oportunidade de testar o óculos da Microsoft durante o evento comentou que HoloLens é bem melhor que o Google Glass, que a empresa do Bill Gates está no caminho certo, que está ansioso para saber o preço e a data de lançamento do óculos.

Diante deste cenário, só resta aguardar o lançamento e visualizar se a indústria de eletrônicos acerta desta vez ou só lança mais uma bugiganga tecnológica.