Esconder minha sexualidade quando criança me tortura até hoje
Gael Rodrigues
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Me identifiquei muito com teu texto, Gael. Minha infância foi cercada de assédio moral e agressões físicas. Ir para a aula sempre foi um pesadelo. Eu não conseguia ser invisível nem o menino que esperavam que eu fosse. Tive a grande sorte de começar a desenhar desde muito cedo, o que me permitiu criar um universo particular precioso, onde pude me abrigar com constância. Desenvolvi algumas compulsões, síndrome do pânico por algum período e constante melancolia.

O fato de desenhar e de ter nascido em uma família de poucas posses, me fez começar a trabalhar na passagem dos meus 12 para 13 anos. O trabalho virou minha fuga e, quando puder construir minha independência financeira, saí de casa e nunca mais voltei. Cada vez mais longe: primeiro na mesma cidade dos meus pais, depois mudei de estado, depois fui pra outro estado ainda mais longe, até que acabei na Austrália, onde estou morando há quase um ano e meio. Aqui, decidi matar simbolicamente todos os que representaram opressão na minha história de vida. Desmunhequei, comecei a me montar como drag queen, estou fazendo aula de vogue pra desmunhecar mais ainda e resgatar aquele menino viadinho, humilhado e que consumiu grande parte da vida mergulhado em culpa e angústia.

O mais impressionante é que tá dando certo. Venho me libertando e encontrando meu lugar em mim. Não digo no mundo, pois ainda é cedo, ainda me sinto meio nômade, meio de lugar nenhum, meio múltiplo.

Desculpe essa mensagem enorme, mas precisava trazer um pouco dessa cumplicidade e te dizer que você não está sozinho.

Um beijo.

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