Os riscos do autodiagnóstico na era da Internet

DoutorApp
DoutorApp
Sep 5, 2018 · 4 min read

A maioria de nós usa a Internet para obter informações relacionadas à saúde. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), entidade de pesquisa e pós-graduação na área farmacêutica, 40,9% dos brasileiros fazem auto diagnóstico pela internet. Desses, 63,84% possuem formação superior.

Não muito tempo atrás, os pacientes eram receptores passivos de informações médicas. O médico levaria alguns minutos para explicar uma doença, sua gênese e o curso antecipado, seguido por uma descrição das opções de tratamento. Com a proliferação da Internet — uma tecnologia que mudou a medicina mais do que qualquer outra invenção única — a dinâmica médico-paciente também mudou. Agora, qualquer pessoa pode acessar facilmente informações relacionadas à saúde, e os pacientes trazem esse conhecimento para a visita ao consultório.

Com este dilúvio de dados de saúde, os médicos estão preocupados sobre como seus pacientes tratarão todas essas informações e como essas informações terão impacto na “relação médico-paciente”, que, segundo os autores Susan Dorr Goold e Mack Lipkin Jr., é definida como “o meio em que os dados são coletados, os diagnósticos e planos são feitos, a conformidade é realizada e a cura, a ativação do paciente e o suporte são fornecidos”.

Do ponto de vista clínico, a informação médica encontrada na Internet é supostamente suplementar e é mais usada para informar sua tomada de decisão médica — e não substituí-la. Informações médicas encontradas na Internet não devem orientar o autodiagnóstico ou o tratamento.

Pesquisas na Internet por pacientes

Os pacientes geralmente usam a Internet de duas maneiras.

Primeiro, os pacientes procuram informações antes de uma consulta clínica para decidir se precisam consultar um profissional de saúde.

Em segundo lugar, os pacientes utilizam a Internet após uma consulta, seja para reafirmar sua confiança ou devido à insatisfação com a quantidade de detalhes fornecida pelo profissional de saúde.

Apesar de obter informações relacionadas à saúde na Internet, a grande maioria das pessoas não usa a Internet para se autodiagnosticar e, em vez disso, visita seus médicos para estabelecer diagnósticos. Além disso, a maioria das pessoas também recorre a seus médicos com perguntas sobre drogas e informações sobre tratamentos alternativos, bem como para encaminhamentos a especialistas.

Pesquisadores de Internet particularmente ativos incluem pessoas com doenças crônicas que não apenas buscam mais conhecimento sobre sua doença usando a Internet, mas também recorrem a outras pessoas para obter apoio. Além disso, as pessoas que não têm plano de saúde recorrem frequentemente à Internet para aprender mais sobre sintomas e doenças. Finalmente, pessoas com doenças raras, que teriam dificuldade em encontrar pessoas como elas no mundo real, geralmente compartilham informações e artigos científicos usando plataformas on-line.

Interpretação do Médico e Contextualização da Informação

Em um estudo realizado, muitos médicos consideram colocar as informações de saúde na Internet no contexto dos pacientes como parte de suas responsabilidades. Em outras palavras, é responsabilidade do médico considerar o histórico médico individual de cada paciente ao discutir informações sobre a saúde na Internet. Para os pacientes que são autodidatas ou usam a Internet para aprender mais sobre condições pré-existentes, esse processo leva a um tratamento muito mais suave e até mesmo mais fácil.

No entanto, os médicos acharam que era difícil educar os pacientes que estavam preocupados ou angustiados com informações encontradas na Internet. Por fim, os pacientes que usavam a Internet para se autodiagnosticarem e se auto-tratarem muitas vezes pressionavam os médicos e exigiam que eles defendessem seus diagnósticos.

Notavelmente, uma minoria de médicos não acha que interpretar as informações de saúde da Internet era uma responsabilidade de seu trabalho. Além disso, alguns médicos chegaram a ponto de “demitir” pacientes que solicitaram tais informações, encaminharam tais pacientes para especialistas ou cobraram mais pela visita — todos considerados comportamentos defensivos.

Conclusão

Informações sobre saúde na Internet são infinitas. Algumas dessas informações são bem assustadoras, especialmente se você não entender tudo o que está sendo descrito. Por exemplo, um diagnóstico diferencial para dor de cabeça é derrame, mas as chances de que qualquer incidência particular de dor de cabeça seja relacionada ao derrame são pequenas — especialmente se você for jovem e saudável.

Informações coletadas na Internet podem ser maravilhosamente úteis, como é o caso de pacientes com condições crônicas de saúde que deseja aprender mais sobre seus cuidados. No entanto, também pode ser prejudicial, como no caso de uma pessoa que se preocupa desnecessariamente com um autodiagnóstico, ou pior, com uma pessoa que realiza um autodiagnostico que pode resultar em danos corporais. Lembre-se de que seu médico pode ajudar a colocar as informações coletadas na Internet no contexto certo.

O diagnóstico é um processo que deve ser realizado por um profissional. Um médico confia na perspicácia clínica e na riqueza de informações médicas — algumas das quais podem ser encontradas na Web — para diagnosticar um paciente. Com base na história médica e nos achados do exame físico, o médico deduz um diagnóstico ou lista priorizada de diagnósticos prováveis. Os resultados dos testes diagnósticos confirmam o diagnóstico.

Se você encontrar informações na Internet que gostaria que seu médico revisasse e explicasse, é uma boa ideia deixar essas informações com ele e pedir que ele dê uma olhada quando tiver tempo. Alternativamente, você pode agendar um compromisso separado apenas para discutir suas preocupações.

Essa é uma adaptação da reportagem de Naveed Saleh. Para consultar o artigo original clique aqui.

DoutorApp

Written by

DoutorApp

Uma nova geração de sistemas para saúde. https://doutorapp.online

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade