O Poder Secreto das Micro Doses de Drogas Psicodélicas

Apesar de seu uso proibido desde os anos 60, o uso de drogas psicodélicas, como o LSD, em micro doses vem silencionamente revolucionando o mundo


Apesar de sua proibição e consequente preconceito da sociedade quanto ao seu uso, as drogas psicodélicas fazem parte da história da humanidade, seja em rituais tribais/religiosos, seja na vida de grandes artistas e líderes.

Apesar das inúmeras drogas psicodélicas com efeitos semelhantes (ex: DMT, Mescalina, Psilocibina/Cogumelo, Ayahuasca/Santo Daime e Peyote), a maior parte dos estudos, e deste post, se concentra nos efeitos do LSD (Ácido Lisérgico) sintetizado pela primeira vez em 1938 pelo químico suíço Albert Hoffman.

Logo após sua descoberta, o interesse em torno do LSD foi grande e inúmeros países (seus governos e exércitos) passaram a utilizá-lo em testes controlados por acreditarem nas possibilidades de utilizá-lo em interrogatórios e no controle da mente. Porém, o uso de doses exageradas fez com que estes testes fossem rapidamente abandonados. Enquanto que um grupo de pesquisadores, como Timothy Leary e Richard Alpert, seguiram em frente e descobriram o potencial do LSD como uma ferramenta de crescimento espiritual. Infelizmente, o avanço do uso recreacional tornou a droga proibida nos Estados Unidos em 1967, tornando as pesquisas terapêuticas, científicas e individuais cada vez mais difíceis de serem realizadas. Muitos outros países, sob pressão dos Estados Unidos, rapidamente impuseram a mesma restrição.

Mesmo assim, diversos usuários e cientistas em todo o mundo continuaram utilizando o LSD em uma jornada ilegal, porém com crescentes relatos de descobertas positivas, como seu uso na solução de problemas complexos, no aguçamento da mente, no desenvolvimento de maior compaixão, maior conexão com a natureza e sensação de unidade com o universo. E entre os resultados das pesquisas, aplicações bem sucedidas em tratamentos de dependência alcoólica ou de drogas pesadas (como cocaína, heroína e meta-anfetamina), reversão de stress pós-traumático e de outros distúrbios psiquiátricos. O problema é que a ilegalidade também reduziu drasticamente a divulgação de tais resultados (e a aceitação pela sociedade científica) classificando aqueles que insistiam na pesquisas como "um bando de hippies".

Uma das grandes distorções do grande público quanto ao LSD é fruto do seu uso em grandes doses, onde um efeito muito forte e pouco assimilado pelo usuário é capaz de causar experiências ruins (as chamadas bad trips), principalmente em situações inadequadas (ex: após uma briga com sua namorada ou em uma semana de muita ansiedade e estresse) e fora de supervisionamento de um guia.

Mas é o uso de micro e pequenas doses que avançou muito nos últimos anos e vêm ganhando notoriedade crescente entre usuários e pesquisadores que buscam efeitos espirituais e soluções de problemas complexos. Uma micro dose nada mais é do que uma dose tão pequena que pode ser considerada "uma dose sub-perceptiva" - sem efeitos na percepção do mundo exterior. Ou nas palavras de um usuário, trata-se de uma dose em que "pedras não brilham e plantas não conversam com você". Em termos de quantidade da substância, 400 microgramas de LSD é considerada uma dose alta (usado para transcender); 100 microgramas é considerada uma dose pequena (usada para resolução de problemas complexos); e 10 a 15 microgramas é uma micro dose (usada para ter dias com bom humor, mais tolerância, fluxo contínuo de criatividade e etc.).

O próprio Albert Hoffman, inventor do LSD, afirmava que micro doses eram a parte mais negligenciada das pesquisas com drogas psicodélicas. Ele mesmo, tomou micro-doses (provavelmente uma a duas vezes por semana) pelos seus últimos 30 anos de vida (ele morreu com 102 anos), sempre que saía para caminhar entre as árvores em busca de pensamentos mais afiados e solução de questões complexas (aliás, esta era a sua única recomendação quanto ao uso do LSD: "Sempre tome no meio da natureza"). Sua principal conclusão destes últimos 30 anos foi que a microdose de LSD têm um efeito muito superior às drogas denominadas intensificadoras de cognição (uma classe de fármacos derivados da anfetamina, como a Ritalina ou Adderall), além de ser muito mais saudável para o corpo e a mente humana.

Sejam em altas ou em micro doses, o LSD é considerado uma substância anti-viciante e nenhum estudo até hoje comprovou a possibilidade de overdose. Para o uso de micro doses e extração máxima de seu benefício, o protocolo de uso é tomar um dia e voltar a tomar só 3 dias depois novamente (este intervalo pode ser maior) já que em intervalos menores a mente se torna tolerante e os efeitos deixam existir. Outra curiosidade é que enquanto doses altas costumam durar de 8 a 12 horas e ser recomendadas apenas um a duas vezes no ano, micro doses duram dois dias e podem ser usadas continuamente - o que significa que micro doses tem efeito muito mais duradouro.

Infelizmente, o comércio de LSD ainda é proibido em todo o mundo e a falta de responsabilidade no uso do mesmo poderá mantê-lo assim por algum tempo. Para os que conseguem a substância de forma ilegal, é extremamente difícil consegui-lo em seu estado puro, já que a maior parte absoluta do LSD comercializado ilegalmente é misturado com anfetamina e/ou trata-se de uma outra droga, nova e nociva chamada NBOMe.

A recente flexibilização do uso e comércio da cannabis (maconha) abriu uma nova fase também para os estudos científicos com psicodélicas, como o LSD, que passam novamente a ter sua pesquisa permitida (ainda com uma série de restrições). Quem sabe esta seja uma nova fase, uma luz no fim do túnel, no estudo das drogas psicodélicas, que sempre foram utilizadas como forma de nos conectar com estados mais elevados de espírito.

A boa notícia é que aos poucos o uso de micro doses começa a sair do anonimato e passa a revelar que inúmeras pessoas ao redor do mundo, incluindo empresários, líderes e cientistas estão usufruindo de seus benefícios com grande sucesso. Exemplos não faltam, e vão desde o famoso Steve Jobs (fundador da Apple) que considerava o uso do LSD "uma das duas ou três coisas mais importantes que fez na vida" a até dois vencedores do prêmio nobel, Kary Mullis (que descobriu como amplificar sequências de DNA) e Francis Crick (que descobriu a estrutura em dupla hélice do DNA), os quais admitem o uso do LSD para solucionar os problemas fundamentais das pesquisas que lhes deram o prêmio.

Se você quiser se aprofundar mais sobre esse assunto, viaje aqui nesses links:

www.erowid.org

www.maps.org

www.psychedelic-library.org

www.lycaeum.org

www.csp.org

Observação

Este artigo foi motivado pelas informações descobertas no episódio no.66 do Podcast The Tim Ferris Show que entrevista o pesquisador Jamis Fadiman (o maior especialista no uso psiquiátrico do LSD nos dias de hoje). Independente da minha experiência e/ou opinião sobre o assunto, não estou aqui fazendo qualquer tipo de incentivo quanto ao consumo de drogas. Esse post tem objetivo informativo e utilizou informações 100% disponíveis na internet conforme os links contidos no texto e postado acima.