O que Esta Acontecendo no Rio de Janeiro e Como Você Pode Assumir as Rédeas da Solução
A violência da década de 90 esta voltando com tudo e a solução não esta no triste jogo de empurra e empurra, críticas e acusações que invadiram nossas redes sociais
Assaltos com facas, balas perdidas, traficantes invadindo territórios inimigos, assaltos em sinais de trânsito… A lista de barbaridades é velha conhecida do carioca que se lembra da sensação de insegurança do Rio na década de 90. Infelizmente, 20 anos depois, um grande e assustador Deja Vú toma conta da cidade.
As redes sociais amplificam e demonstram que, apesar do medo ser o mesmo, as críticas sugeridas são antagônicas e apontam sempre para a direção contrária de quem as faz. Mais uma vez, um povo desacreditado dos nossos políticos segue acreditando que a solução virá do próprio Estado, culpando o bandido ou até mesmo a vítima, entrelaçando uma confusa mistura de causas históricas, sistemas politico-econômicos, a influência de outros setores fundamentais, como a educação de base, e suas crenças pessoais.
Tenho me esforçado nos últimos dias em conversar com diversas pessoas, de diferentes áreas da cidade e diferentes opiniões para buscar uma análise mais neutra. Ao invés de entender simplesmente o que esta acontecendo, busquei escutar de cada um sua opinião sobre qual seria a solução. Poucos de fato apontaram para algo que envolvessem a participação (individual ou coletiva) do carioca.
Mas, mesmo em um mar de divergências, encontrei nestas discussões alguns pontos em comum referente às causas da situação atual:
- O Brasil e Estado estão quase quebrados!
Não é novidade para ninguém, não caímos mais em mentiras, estamos em um momento econômico muito difícil. Infelizmente, isso não deveria ser uma surpresa já que costuma acontecer todos os anos após uma nova eleição. A fórmula é sempre a mesma: políticos torram o que não podem e mascaram indicadores para conseguir se reeleger (ou eleger seus colegas de partido). Para piorar mais a situação, o Rio de Janeiro com sua renda altamente dependente de royalties vem sofrendo com a queda do preço do barril do petróleo. A segurança do Rio que já sofre com a perda de verbas desde o declínio de Eike, até então grande financiador das UPPs, e agora enfrenta um corte de R$ 85,5 milhões na verba de segurança pública. - Desigualdade Social e Segurança
O Rio de Janeiro sempre foi a cidade dos contrastes, da beleza natural de suas praias e da riqueza da zona sul com a pobreza das favelas sem saneamento básico. O avanço das UPPs permitiu que o poder paralelo dos traficantes fosse reduzido e que certas melhorias de infraestrutura e qualidade de vida chegassem nas comunidades. O projeto não é perfeito, não se faz paz com policiais armados se achando os donos do morro, mas a crítica ao projeto e a sugestão de seu fim só é de interesse de um pequeno grupo afetado pela perda de poder causado pelas UPPs. - Impunidade
No Brasil, quem comete crimes não é punido e se for será por pouco tempo. Infelizmente, esse exemplo vêm de cima e inclui a impunidade de governantes e grandes empresários. Mas ela também acontece com criminosos, sejam eles menores ou não, e até com pessoas como eu e você em pequenas corrupções e ilegalidades do dia-a-dia (sabe aquela guimba de cigarro no chão?). - Eficiência do Estado e suas Políticas Públicas
Sim, nosso país é mal gerido e possui uma máquina pública inchada. O Rio não é excessão. Com o endividamento dos Estados e Municípios batendo recorde e o Ministro da Justiça fechando a torneira de novos empréstimos não é preciso ser um gênio para saber que a má gestão será ainda pior nos próximos anos. A regra é clara: não existe dinheiro público, o que existe é o dinheiro do contribuinte que vira dinheiro público por meio de impostos de renda ou de impostos embutidos no preço de produtos e serviços. Pior ainda, para ser político basta ser famoso, ter bons doadores para sua campanha ou ser de famílias feudais. Em nada importa se você é capacitado ou experiente para o cargo e responsabilidades que assumirá.
O cenário é desanimador, eu sei, mas o problema central hoje não esta mais em apontar os já antigos e sabidos problemas e as também antigas e sabidas soluções. O problema esta em descobrir NOVAS SOLUÇÕES, que atuem no curto prazo e que envolvam a participação direta do cidadão como agente de mudança.
Mas o que você quer dizer com "antigos e sabidos problemas e soluções?
Pense comigo: Como vamos conseguir implementar a paz com policiais armados até os dentes com equipamento militar de calibre pesado? Como vamos discutir distribuição de renda se nossa presidente usa sapato Gucci e o seu opositor usa terno Ferragamo, nossos intelectuais possuem apartamento em Paris e a maior parte do financiamento público vai para grandes corporações e seus oligopólios? Alguém já descobriu alguma forma de distribuição de renda que nossos políticos vão querer votar a favor, como a taxação de grandes fortunas e heranças? Como podemos discutir impunidade se políticos não vão para a cadeia por corrupção, bilionários não vão para cadeia por sonegação fiscal e assassinos são libertados em pouco tempo? A dura realidade é que isso vai levar tempo. Tempo de toda uma nova geração crescer e tornar essas soluções em realidade. Enquanto isso, como fazemos para corrigir os problemas no curto prazo? Vamos meter a mão na massa!
Mas porque a participação do cidadão é tão importante?
Simples: Primeiro, porque ela é seu dever e, segundo, porque ela é uma solução descentralizada (não depende de grandes poderes / sejam governamentais ou privados)
O fato é que eu e você podemos contribuir um pouco e enxergar problemas por uma nova perspectiva. O simples ato de ajudar lhe traz uma perspectiva completamente diferente sobre os problemas e suas soluções. É como um crítico de gastronomia que nunca geriu uma cozinha de restaurante ou crítico de cinema que nunca dirigiu um filme. Sua perspectiva vai mudar! Então chega de blá blá blá e vamos falar de alguns exemplos que merecem destaque. Olha aí embaixo e me diz, por que você não…
- Faz como o Fernando Nascimento que criou o Ocupa Parque, que pretende ocupar o Parque do Aterro do Flamengo com uma série de atividades realizadas por cidadãos e assim tornar o espaço mais bem frequentado e cuidado
- Faz como a Fernanda Cortez que criou o Menos 1 Lixo para incentivar as pessoas a produzirem menos lixo na cidade
- Faz como a Alessandra Orofino e Miguel Lago que criaram o Meu Rio para mobilizar cidadãos a participarem ativamente das decisões da cidade
- Faz como o Gab Gomes que fundou a Múrmura que visa promover micro revoluções urbanas
- Faz como a Ana Lycia e a Maria Uchoa que tocam o Rio Eu Amo Eu Cuido que promove a conscientização do carioca quanto aos pequenos gestos
- Faz como o Bruno do SerHubano que conecta diferentes profissionais de cultura para ocupar e dar vida a espaços esquecidos da cidade
- Faz como o Haas e o Hahn, gringos, que criaram o Favela Painting para trazer mais cor e vida às comunidades do Rio.
- E você, vai fazer o quê?
Se questione, reflita, se mexa! O que você esta fazendo para mudar a cidade que não seja apenas escrever nas redes sociais? Quais soluções você esta buscando no lugar do apontamento de problemas e seus culpados? O quanto você tem praticado empatia ao invés do achismo? Quantas horas do seu dia você esta se dedicando a ações que exigem sua doação de horas, de sua movimentação física e braçal?
A Paz no Mundo começa primeiro dentro de cada um de nós. De grão em grão, de cidadão em cidadão, nós podemos mudar o Rio novamente.