Oi, Andressa Faria de Almeida.
Luiz Luz
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Eu entendo seus sentimentos, Luiz. Na verdade, são bastante compreensíveis. O fato de eu ter sido logo diagnosticada fez toda a diferença para que eu fosse mais preparada para o mundo exterior, o que não me poupou de uma série de problemas que todo autista mesmo que não severo passa. Aliás, até hoje não me poupa. Em alguns momentos ter o diagnóstico em mãos foi problemático e em outros não abriu as portas, o que era frustrante.

Além disso, o seu sentimento de “ficar a margem” é compartilhado pela maioria dos irmãos de autistas severos. Muitos pais apresentam dificuldade de dividir as atenções e é comum que as pessoas que estão nesses lugares cresçam com a sensação de que não são amadas, de que não são vistas, sequer apoiadas. Não é ruim você reconhecer essas falhas, assim como não é ruim que pense sobre os malefícios de um tratamento equivocado. É parte da reflexão comum após o diagnóstico. Eu mesma experimentei isso, então é lógico que você viva também, com ainda mais intensidade.

Só que de fato “é pra frente que se anda”, né? Por exemplo, eu fui abusada sexualmente por dez anos da minha vida e faço terapia para tratar isso hoje, entre outras coisas. É claro que o abuso me define um pouco, mas eu não quero carrega-lo como um estigma. As faltas é os erros, as perdas e as frustrações pré diagnóstico também devem ser encaradas com aceitação, creio. Não vão deixar de existir. Devem ser experimentadas em algum grau, claro. Mas acima de tudo é imperioso que você siga e com esse texto, pelo menos para mim, ficou claro que é o que você está fazendo. Espero que continue.

P.S. Seria legal ter estudado contigo, sabia? Conheci muito poucos aspies na minha vida, queria ter tido contato com mais gente que não precisa de tanto esforço para ser empática comigo. De qualquer forma, antes tarde do que nunca, então fica aqui meu “Olá” e meu “Obrigada”!

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