Mia Wallace
Jul 23, 2017 · 12 min read

Talvez eu deva finalmente me despedir por aqui. Dessa vez uma despedida real, não uma despedida que volta a ser mais uma visita diária a você. Eu ainda não dormi, tentando pensar como eu ia botar isso tudo pra fora, novamente. Mas dessa vez direto, sem poesias ou indiretas. Algo verdadeiro, do coração.

Eu prometi inúmeras vezes que eu nunca mais entraria em contato e eu realmente estou cumprindo a promessa, tirando o fato de eu ainda não ter te esquecido. E isso tem sido doloroso demais pra mim, porque como conviver com um sentimento contínuo que não apaga, não muda, não desaparece? Eu tentei lidar com isso de diversas formas diferentes e obviamente, nenhuma delas resultou em nada, senão eu não estaria a essa hora da manhã acordada preocupada em escrever isso. Talvez eu deva escrever isso, como eu fiz há alguns anos atrás, pra representar tudo o que eu gostaria de te dizer e eu não posso, pela minha dignidade. O que restou dela, porque eu a desperdicei completamente tentando voltar com você repetidamente. Mas não importa mais, já passou. São outros tempos. Com certeza são outros tempos pra você, é lógico. Você está pleno, não sente uma porra. Mas eu sinto. Não entenda mal, não é como se nada tivesse mudado desde que você se foi, pelo contrário. Muitas coisas mudaram, mas outras nem tanto. Nada muda completamente, ninguém muda completamente, não é mesmo? Assim como eu tenho certeza que a sua indiferença ao mundo (na verdade, só a mim mesmo) também não mudou. E eu já pensei nessa merda tantas vezes seguidas. Em como várias vezes você me dizia que “você era mais dependente de mim do que eu você”. Vá se foder. A princípio, você apenas me achava atraente, enquanto eu era perdidamente apaixonada por você, pelo seu jeito, pelo seu sorriso, pelos seus desenhos, trejeitos, até mesmo do seu jeito de andar. Enquanto eu ainda não significava nada pra você. E demorei bastante pra significar. A ponto de você me pedir em namoro “sem saber o que estava sentindo", mas pra mim ter dito que estava apaixonado pra caralho. Engraçado, não? É engraçado eu ter a necessidade de expor isso. Não sei, sei lá, depois eu apague depois. É aquele lance de por pra fora mesmo, e rezar que, talvez, em uma dimensão muito louca, você leia isso.


O que me dói mais é saber que sei lá, a gente acabou inacabado. Você simplesmente parou de falar comigo, não quis mais saber. Era incrível também a sua incapacidade de me ligar, mesmo tendo o meu número e sabendo que estava tudo errado. Indiferença, sabe?

E eu ainda queria te dizer tanta coisa (e ainda quero). Como eu queria. Várias coisas, coisas acumuladas, coisas que se acumulam até hoje e eu ainda tenho a necessidade estranha de compartilhar com você. E eu não sei o por que exato. Mas eu sei que eu nunca senti uma conexão tão forte com alguém na vida como eu senti com você. E isso é foda pra caralho (no mal sentido). Por que não foi o mesmo pra você. Você seguiu pleno em frente. Eu segui, mas ainda olho pra trás, pra mesma esquina que eu te deixei. Por quê? Eu não sei.


Como eu disse, eu já pensei nessa merda por diversas vezes. Todos os dias, toda hora, chego a sonhar. E é hilário que até nos sonhos, você me ignora de uma maneira épica, a ponto de nem olhar na minha cara. Mas voltando, eu pensei e penso demais, sabe? Imagine, só. Imagine se eu não tivesse feito design? Eu não teria entrado naquele estágio. Eu não teria te conhecido. Uma coisa puxa outra, huh? Como eu seria hoje se eu não tivesse te conhecido? Eu retiro o que eu tinha dito antes. Não acho que eu teria achado ninguém “certo” pra mim. Eu descobri da pior maneira que é DIFÍCIL DEMAIS achar alguém que te ama e seja recíproco. Mas veja só, eu seria menos quebrada hoje. Ou melhor, eu não teria um idiota no meu pensamento 24h.


Sabe todas aquelas coisas acumuladas? Não é só sobre a gente, é sobre tudo. Sobre a minha vida, sobre mim, sobre minhas experiências. Eu queria tanto partilhar isso com você. Porque ironicamente você tinha o poder de tornar as coisas melhores. Mas você teve o poder de destruir tudo, também. Eu te dei esse poder, na verdade. Você tinha tudo nas mãos, você tinha o poder de tornar tudo mágico, ou de jogar tudo pro alto, como você já vinha fazendo. E adivinha o que você escolheu?

Você sabia que no show do Ed eu chorei feito a pessoa mais infeliz da Terra quando ele tocou “Give Me Love”? Nessa música em específico, não foi só porque eu estava emocionada pelo show……… Pra dizer a verdade, talvez aquele momento do ano (até agora) foi o que eu mais entrei nos meus sentimentos. Eu consegui acessar todo o infinito de coisas que tinha dentro de mim. E aí a sua imagem veio com força na minha mente, e por isso eu não consegui parar de chorar. Eu me senti tão infinita que não consigo por em palavras. É algo que eu nunca senti antes e queria poder ter dito tudo isso pra você, novamente…


Depois de ter guardado tanta coisa, é até difícil lembrar de tudo. Chega a ser extremamente cansativo entrar em todos esses assuntos de novo. Mas o que eu posso fazer? É como eu estou tentando lidar. Na verdade, eu não tenho só a isso pra lidar, mas isso é um dos assuntos recorrentes na minha mente, e que precisam de um ponto final definitivo. E eu o tempo todo ponho um ponto e vírgula e eu não aguento mais isso, porque isso me destrói todos os dias. Não destrói só pelo fato de você ter se afastado, destrói por eu já não saber mais o que sentir, o que pensar, e mesmo assim, continuar pensando. Isso é cansativo pra caralho, não acha?


O quão idiota eu sou por ainda me importar com você? Ainda querer saber como você vai, se você está feliz, se por acaso sua vida ficou menos caótica depois que eu saí. Eu queria saber. Eu queria saber quais coisas você tem visto, o que te interessa hoje, quais coisas que te fizeram rir recentemente, todos os momentos que você riu alto e eu não estava presente. Eu já imaginei várias vezes a sua risada ecoando por alguma situação ou piada. Desde bem antes do nosso término que eu tenho curiosidade de saber, mas você foi me tirando aos poucos da sua vida. E eu te disse várias vezes que você estava fazendo isso. A ponto de você vir pra minha casa e mexer no celular, nem olhar na minha cara direito. Você estava plenamente cansado e sequer expressou isso.

Veja bem, você disse algumas vezes que estava cansado de brigar, mas você sabe que não era só isso. Você estava cansado de mim, da minha cara, do meu jeito, das minhas reclamações, talvez até da minha risada, das coisas que eu fazia, da minha existência. Mas você nunca disse isso. Você nunca disse que queria terminar. ESSE É O MAIS ENGRAÇADO. Você nunca disse que queria terminar. Você nunca disse chega, com tantas oportunidades que você teve de se afastar. E é claro que você pegou o pior momento pra fazer isso.


Sobre isso. Sobre o momento. Acho que é o ponto chave dessa nossa conversa imaginária. Me chame de louca, o que quiser.

Me machucou, sabe? Mas machucou a fundo, num ponto que ninguém nunca antes tinha tocado. Eu ouvia diariamente aquela música, “Don’t Give Up on Me”, lembra? Eu a ouvia o dia todo, literalmente, no repeat. E eu sabia que eu ouvia como um lamento, pois eu já sabia que você estava desistindo. Pior, que você em breve iria desistir. No caso, eu quase desisti também. Não só de você, da minha vida. Eu quis por um fim na minha vida, também por sua causa e é claro que você também sabe disso. Eu gostava de você num ponto que eu sentia uma conexão tão intensa, mas que você não fazia a menor questão de retribuir isso. E desde sempre isso sempre me magoou tanto.

No início você se importava etc, mas você sabe que não foi a mesma coisa no ano seguinte. Você já não estava muito mais aí pra nada. Talvez tivesse doído um pouco menos se você tivesse terminado na hora que você sentiu que você, na verdade, não estava sentindo mais muita coisa. Você decidiu NÃO FALAR mais comigo quando eu estava em depressão. Você decidiu terminar nosso relacionamento por e-mail. Você decidiu vender meu presente de aniversário pra você. Uma sucessão de bosta, quase que literal. Você me machucava tanto, e é claro que eu também já estava cansada de tudo aquilo, mas eu queria um sinal seu. Eu queria que você realmente tentasse fazer algo diferente, pela gente, sabe? E de verdade, nada nunca mudou, por mais que você dissesse que “dessa vez seria diferente”.


Sobre você. Eu reli nossas últimas conversas. Eu sei que eu era extremamente insuportável alguns momentos, eu sei que eu errei pra caralho com você, a ponto de descontar em você coisas que não deveriam ter sido descontadas. Eu sei que eu também fui parte de tudo ter dado errado. Por mais que pareça que “a culpa seja toda sua”. Não é. Eu sei que não é. Por esses momentos, eu queria voltar no tempo e ter pedido desculpas todas as vezes que eu deixei de pedir. Eu sei que eu consigo ser um pé no saco quando eu quero. Ninguém é perfeito, eu errei também. Mas eu queria ter sido perfeita pra você. Hoje eu realmente vejo o quão imatura eu fui em tantos pontos idiotas. E o quão imatura eu fui em pontos que eu ainda não entendia e agora eu entendo. Eu super exigi demais de você em pontos estúpidos. Não foi minha intenção te botar pra baixo dessa forma em tantos pontos que eu sei que eu botei. Eu me sentia carente o tempo todo. Eu queria mais de você o tempo todo. Não foi só isso, mas esse foi um dos motivos pelas nossas maiores brigas, e talvez você não tenha realizado disso. Desculpa. De verdade.


Já está amanhecendo, mas eu preciso encerrar isso. Eu não quero, como da outra vez, ficar dias a fio escrevendo isso. Eu quero fazer de uma vez só. Eu já estendi você por tempo demais na minha vida. Eu poderia te estender pra sempre, se você quisesse me estender também. Mas isso o que eu faço o fucking santo dia é masoquismo. Deu, né?


Hoje eu ouvi algo muito importante sobre amar. Algo que eu já sabia, mas eu realmente aprofundei o pensamento hoje.

Você escolheu sair no pior momento da minha vida. Eu não via luz no fim do túnel e você, pra melhorar, pôs uma fenda nos meus olhos. Você escolheu sair e ainda voltou mais uma vez, por pena. Esse foi o pior. Você voltou por pena, cara. Você voltou por peso na consciência, não porque você realmente estava mal porque eu estava mal. E isso foi, talvez, o que mais pôs seu caráter em jogo. Ou a falta dele. De todas as coisas, por piores que tenham sido, essa foi a pior de todas: a pena. O seu “comeback” apenas pelo peso na consciência. Isso me feriu pra caralho. Mais do que você JÁ tinha conseguido.

E aí hoje, eu ouvi uma frase sobre depressão que dizia “a pessoa tem que te amar demais pra continuar com você”. Por mais que tivessem todos os problemas, você ignorou essa pequena parte da minha vida que se acentuava a cada dia. Você não me amou o suficiente para ficar. Você não me amou. E por incrível que pareça, eu já tinha chegado nessa conclusão por tantas vezes e ainda sim, não consegui aceitar isso. É difícil ter que aceitar essas coisas. Ser “amada" pela metade. Porque eu lembro vários outros momentos nossos e tudo se embaralha. Tudo fica confuso em relação a você. E talvez seja por isso que eu ainda não consegui aceitar. Eu não tive uma conversa serena com você sobre tudo isso. Foi tudo rápido e repentino. Porque, de verdade, eu ainda não sei o que pensar sobre você. Isso sequer deveria importar nessa altura do campeonato, mas eu ainda não consegui organizar tudo na minha cabeça. É ai que esse texto gigante entra. Até hoje não consegui escrever sobre tudo isso sem poesias e rimas. Eu preciso chegar num fim com você, por isso esse texto. Você não vai voltar e eu preciso de uma vez por todas aceitar isso.


Fazem nove meses desde o fim e eu não quero esperar dar um ano pra escrever tudo isso, apesar que quando der um ano eu provavelmente vou lembrar. Mas enfim. Eu já te vejo em todo lugar, mesmo. Eu te vejo nos outdoors, ou em qualquer merda que eu sei que você teve participação. Essa parte eu meio que me acostumei e não me sinto tão mal, na verdade. Só é uma bosta lembrar de você a cada instante. A cada momento ruim que eu esteja passando, você sempre vem a minha mente. Isso é uma bosta, porque quando tem momentos que eu juro que eu não me sinto mal mais por sua causa, eu fico mal por não estar sentindo nada. Porque eu quero sentir alguma coisa, e se a sua lembrança for embora, eu não vou sentir mais nada. E eu tenho medo disso. Eu sinto medo, porque você é a única coisa hoje que me preenche. Mesmo que seja de dor, mas preenche. Se você se for completamente, o que será de mim, afinal? Por mais que eu tente encontrar outras coisas na vida que me preencham, ainda nada me preencheu mais do que você.


E em falar em preencher e já que estamos aqui, nada, absolutamente nada tomou o seu lugar. Eu não vou morrer “na promessa”, não. Não tenho planos de te esperar, porque eu sei que você nunca mais vai voltar. Mas vai demorar até outra pessoa estar no lugar que você esteve. Eu tentei, eu juro que tentei, mas nada consegue te tirar do pódio que você conquistou. Mas o que dá mais raiva é você ter conquistado sem sequer ter feito esforço pra isso. Você é um idiota, mesmo.


Eu queria de verdade poder te encontrar de novo, só encontrar. Conversar, resolver tudo isso, por mais que pra você tudo já esteja resolvido. Afinal de contas, na sua mente tudo já se acertou. Pena que pra mim ainda não. É complicado quando a gente não pode simplesmente deixar pra lá. Conexões não se apagam tão fácil assim, pelo menos pra mim. Mas se tem uma coisa que aprendi é que pessoas mudam. Nós somos tão diferentes, sempre fomos. E eu te amava justamente por isso, haha. Mas o tempo vai encaminhar para que essa diferença aumente até o ponto que nossa visão se turve e não se encontre nunca mais. Ou pior, caso nos encontremos, já não vai fazer a menor diferença.


É triste que já não faça diferença pra ti. Apesar de todo o mar de bosta, eu ainda tenho sentimentos por ti. Como pode isso? Não é mais a questão do abandono. Eu já aceitei o abandono. Na verdade, eu não aceitei ainda gostar de você. Eu não aceito ainda me preocupar e ainda desejar a sua presença porque, infelizmente, você foi e ainda é importante pra caralho.


Acho que agora, num resumo (gigante) sobre tudo o que eu gostaria de te dizer, acho que finalmente cheguei num consenso. Estou olhando suas fotos pela última vez. Eu quero realmente chegar num fim dessa vez. Ouvindo “the night we met”, eu queria mesmo ir para a noite que nos conhecemos. Voltar tudo do início, ou talvez voltar para nunca ter dado a chance de te conhecer. Talvez se eu não tivesse ido aquele dia, as coisas seriam diferentes hoje. Não que eu me arrependa de nada. Eu só me arrependo de ser trouxa de novo. Nessas horas que aquele lance de ver o futuro seria muito bem vindo.

De coração, eu queria te dizer que você vai continuar sendo a merda da minha inspiração pra todas as poesias. Talvez eu ainda queira dividir vários outros momentos com você, mas que seja. Isso vai passar, certo?

De qualquer forma, eu prometi que eu não voltaria. Admito que tive muita força de vontade (e amor próprio HAHAHAHA). Eu cumpri minha parte da promessa. Espero que não guarde mágoas de mim, pois de verdade, eu não guardo. Eu só sou extremamente quebrada, mas nenhuma novidade até então. Eu sinto a sua falta, eu só queria que você soubesse disso. Deu pra notar pelo texto, né? Por mais que isso tudo já não faça diferença pra ti, eu sinto a tua falta. Às vezes eu acho que uma parte de mim sempre vai sentir. Você faz falta aqui. Acho que o lugar que você teve na minha vida ninguém nunca vai tomar. Obrigada pelas partes boas que você representou. Se você não tivesse representado, esse texto só falaria do tamanho da merda que você fez na minha vida, e não de você em si.

Espero que um dia a gente se esbarre por aí, sem ressentimentos, talvez tomar um açaí heeuhfeuhdfh.

Eu vou, por fim, finalmente, por todos os Deuses, parar de te revisitar agora. É aqui, revendo nossas melhores fotos que eu deixo esse último salve (gigante).

Até a próxima. E não se esqueça: sigo te amando, A.