tua vida me provoca arrepio

Somos todos feitos do mesmo pó de estrelas.

a comunidade científica mundial recebeu, a quatro anos atrás, a confirmação oficial de uma descoberta sobre a qual se falava com enorme expectativa. pesquisadores do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian revelaram ter obtido a mais forte evidência até agora de que o universo em que vivemos começou mesmo pelo Big Bang, mas este não foi explosão, e sim uma súbita expansão de matéria e energia infinitas concentradas em um ponto microscópico que, sem muitas opções semânticas, os cientistas chamam de “singularidade”. essa semente cósmica permanecia em estado latente e, sem que exista ainda uma explicação definitiva, começou a inchar rapidamente […]. no intervalo de um piscar de olhos, por exemplo, seria possível, portanto, que ocorressem mais de dez trilhões de Big Bangs. E quando pisquei eu entendi porque tua vida me provoca arrepio.

fomos uma singularidade, uma semente cósmica, um encontro, fomos bem mais que dez trilhões de big bangs, e estamos em nossa melhor versão.

mas não estávamos em expansão e nunca estaremos.

fomos uma tempestade que nenhum meteorologista previu, vimos deus nos pregando uma peça e vimos transformarmos-nos numa falha na matrix,uma equação errada feita por algum matemático, e que nenhuma comunidade cientifica vai ajudar a desvendar o que de fato somos.

mas eu sei,

somos um erro.

apesar dos dias bons, dos sorrisos, das histórias, ligações, músicas, filmes, abraços, cores, sabores, carinhos, cheiros, temperaturas, apesar das descobertas, olhares, não somos nossos.

você tem outra pessoa que te causa o que tua vida me causa.

você encontra em outra pessoa a expansão do seus sonhos, e a explosão dos seus sentimentos.

e essa nossa distancia me mostra a gravidade do nosso distanciamento de uma forma muito rápida…

afinal a aceleração da gravidade em corpos externos à superfície da Terra acontece por existir uma velocidade permitindo o impulso em razão de uma força centrípeta, ocasionando uma trajetória circular, fazendo com que o corpo entre em órbita, mas você sempre me tira da órbita.

E desde que seguimos caminhos opostos, eu só tenho implorado para que os meteorologistas, os deuses, os matemáticos ou os cosmos errem de novo.

estou arrepiada.