Os clássicos da coquetelaria brasileira estão de volta

A história da coquetelaria nacional é muito mais do que a nossa querida Caipirinha. Reviver coquetéis de boteco é uma forma de resgatar nossas raízes e entender um pouco mais sobre nossa cultura etílica também. Hoje com bebidas de qualidade nos bares, podemos ver o potencial de diversos drinks que nasceram nas talagadas dos mais simples balcões de antigamente.
Felizmente, trabalhos legais estão sendo feitos para reconhecer o valor desses incríveis coquetéis. Qual o problema de se chegar ao bar de um hotel 5 estrelas no Rio de Janeiro de frente pra praia e pedir um Rabo de Galo? Nenhum. Aliás, a sugestão já aparece até no menu. Muito bem feito e envelhecido em barril de carvalho inclusive. A ideia foi do bartender e mixólogo Renato Tavares, que desenvolveu a carta do 23 Ocean Lounge, bar do Hotel Sofitel Ipanema.
“A idéia era valorizar a Cachaça e coquetelaria brasileira, e mostrá-las ao público estrangeiro que equivale a 70% da ocupação do hotel. Outro motivo foi querer ir de encontro a uma tendência global muito forte, que consiste em transformar os clássicos na mais nova moda, como acontece com o Negroni e o G&T por exemplo. O passado está de volta.”
Explica Renato Tavares, que atualmente também serve o drink no Bar dos Descasados, dentro de outro Hotel 5 estrelas, o MGallery Santa Teresa.

Apesar do Rabo de Galo ser um grande precursor desse movimento, outros coquetéis fantásticos são possíveis de serem desenvolvidos também. Leonardo Peralta, bartender/mixólogo e barista, tem buscado há pouco mais de um ano pelo DNA dos famosos coquetéis de boteco e está fazendo um trabalho muito legal de estudo e adaptações pros dias de hoje.
“ Pesquisei em livros e citações literárias do fim do século XIX até meados do século XX, tentando traçar certos padrões entre as muitas receitas que encontrei, e assim transcrevê-las para uma coquetelaria clássica mais apurada, um jeito de resgatar nossa cultura etílica”. Explica Leo.
Um deles é o Maria Mole (Um clássico nacional sem Cachaça? Sim, existe!), que leva Brandy, Vermute seco, suco de limão siciliano, xarope simples e Angostura. Outro drink muito bem preparado pelo bartender é o Traçado, que muitas vezes é classificado como uma outra nomenclatura pro Rabo de Galo.

“No padrão que enxerguei, o Rabo de Galo sempre foi mais citado como um aperitivo, servido com gelo, com uso de cítricos e Cachaças que passaram por diferentes madeiras, já o Traçado tinha um serviço sem gelo, com Cachaça branca, jovem combinada a termos como vinho forte ou aperitivo de vinho. As poucas citações ao uso de fruta, referiam-se a laranja. Por isso adaptei como um Martini e usei além da Cachaça, um blend de Vermutes e orange bitter”

Além dos coquetéis citados acima, diversos outros ainda podem estar voltando à ativa, como é o caso do Bombeirinho, e as Batidas, claro! Elas que nunca saíram de moda no Rio de Janeiro, estão sendo mais valorizadas em outros estados também.
Nós do @DrinksRio somos fãs declarados da coquetelaria nacional e ficamos muito felizes em ver que cada vez mais estamos resgatando e aperfeiçoando nossos clássicos. Saúde! 🍸
