A T O L V

Mergulhado no fundo do mar,
sem poder nadar,
tudo era reflexo da superfície
turvo e abafado como se nem existisse.

No fundo, nada me tocava.
Nada me incomodava.
O real não passava de lembrança,
e o sonho de falsa esperança.

Mas você…
você me puxou de volta
ao que, no passado, se chamava “sentir”.
Não me solta,
que eu quero continuar a cair.

Sim, a cair e a gritar.
Como alguém que acorda de um sonho de queda,
me dê o seu susto para que eu possa vibrar.
Para que eu possa relembrar.

Me passe seus medos,
me passe suas aflições,
seus sorrisos, abraços e satisfações.
Que eu quero sentir nossos corações
no toque dos nossos dedos, 
no prazer de minhas lamentações.

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