Deixem o pequeno Jameson em paz!

A luta de uma mãe para que seu filho que sofre com síndrome rara não seja transformado em meme nas redes sociais

Jameson, 4, nasceu com a Síndrome de Pfeiffer, que implica na fusão prematura do crânio e alteração do formato da cabeça e da face. O garotinho adorável tem uma mãe heroína, a australiana AliceAnn Meyer, que luta para que a imagem de seu filho não seja transformada em meme. Sim, sabemos que a internet está infestada de vermes cruéis. E eles usaram uma foto do menino — publicada em 2014 por AliceAnn, que mostra a criança lambuzada de chocolate em um momento de pura diversão — para debochar da deficiência do pequeno sorridente.

Após a publicação, a mãe, que mantém o blog Jameson’s Journey (A Jornada de Jameson), página que retrata o amor e também as dificuldades que enfrenta para criar o garotinho, foi surpreendida com memes que comparavam a feição de seu filho a de um cachorro da raça pug. A intenção da mãe era alertar os que “brincam” com a aparência de Jameson, assim como de “todas as crianças que sofrem ataques por suas singularidades e diferenças”. Mas a escrotidão dessa gente não tem fim. E isso doeu muito para a mãe de Jameson.

O que leva uma pessoa a cometer tal coisa? Foi o que perguntou AliceAnn em um texto-protesto — “Esse é meu filho Jameson, e não, você não pode usar sua foto” –, divulgado em seu blog.

No post, AliceAnn agradeceu o apoio de internautas que se mostraram solidários, mas mostrou indignação – também – com a postura NADA HUMANA adotada pelo Facebook. Ao denunciar o tal meme, a australiana recebeu uma mensagem da rede social de Mark Zuckerberg que dizia que a imagem “não violava seus padrões comunitários”. PORRA! Somente após 48 horas é que os compartilhamentos foram retirados do ar. E aí, Markito? Pergunta simplona: e se fosse seu filho?

Das redes sociais, o Twitter foi a mais rápida: removeu o conteúdo em 20 minutos. O Instagram levou menos de 24 horas para atender ao pedido da mãe de Jameson.

“Para a parte moral desta história: eu poderia ficar de braços cruzados e dizer a mim mesmo que há pessoas cruéis lá fora e esse é o mundo em que vivemos. Mas você roubou uma foto do meu filho de 4 anos de idade. Diga o que quiser em voz alta, para seus amigos, na caixa de comentários, mas não tome minha foto para degradar o meu filho”, escreveu AliceAnn em depoimento emocionante.

Ficou claro, “brincalhões” escrotos? E o alerta vale para outros casos também. Estamos em 2016, mas ainda existem USUÁRIOS — não dá para chamá-los de gente — que usam imagens de mulheres “fora dos padrões”, de negros, gays, travestis, de pessoas transgênerxs e outros minorizados pela sociedade para tentar fazer graça. Não, vocês não são engraçados. Vocês são criminosos. E como gritaria um amigo: “hashtag MELHOREM!”.