Publicidade é a minha profissão e, ao mesmo tempo, meu hobby.

Vivo buscando referências ou discutindo sobre isso com amigos.

Uma pauta comum tem sido conteúdo.

Como produzir conteúdo que engaja em meio ao turbilhão de informações na internet?

O que sempre concordamos é que o conteúdo em vídeo é uma saída segura, desde que contenha uma boa narrativa.

Mas foi numa dessas, falando sobre a clássica jornada do herói, que um amigo me fez a pergunta que motivou esse post:

“Vem cá, existem outras técnicas de storytelling que não sejam a jornada do herói?”

Nisso, vi que, por mais que o storytelling tenha se tornado uma buzzword, a coisa ainda não é muito clara.

O problema é que sempre que alguém aborda técnicas narrativas, tudo acaba na jornada do herói.

Mas existem outras abordagens disponíveis para se usar ao trabalhar conteúdo e storytelling.

E eu vou te falar sobre algumas delas a seguir.


1. Monomito ou Jornada do herói

Nada mais justo do que a motivadora desse post abrir os trabalhos.

Ela consiste em um personagem central que deixa suas origens e embarca em uma grande jornada.

Depois de vencer inúmeros desafios, o mito alcança seu objetivo e sai com um belo ensinamento.

Esse é um clássico dos filmes publicitários esportivos.

A campanha “Find Your Greatness” da Nike, por exemplo, mostra filmes com personagens relacionados a diferentes esportes e que vencem seus desafios para alcançarem a grandeza.

Marcas que usam as histórias de superação de seus fundadores em seu conteúdo também apresentam essa lógica.

Esse artigo do The Drum fala na jornada do herói aplicada para marcas.

2. Sparklines

Essa linha consiste em contar histórias que contrastam experiências reais com suas versões “ideais”.

É como comparar uma situação indiscutivelmente negativa com uma hipotética e muito melhor.

Esse tipo de narrativa é perfeito para criar um sentimento de necessidade de mudança com o espectador.

O Sparkline é uma boa saída para marcas que trabalham com temas ambientais.

Por meio dela, podemos expressar recortes de mundos ou sociedades imaginadas e traçar comparativos com um problema que vivemos.

Você vai encontrar muito material falando sobre o Sparkline aplicado às apresentações que engajam, mas há um vasto campo de possibilidades para aplicarmos a técnica em conteúdo visual.

Esse artigo aqui aborda o uso do Sparkline para gerar conversações estratégicas.

3. In medias res

Sabe quando uma história começa no ponto alto da narrativa e depois puxa lá no começo para dar o contexto ao espectador?

A técnica In media res (termo do latim “no meio das coisas”) é a responsável por isso.

Pense em começar uma história em seu momento máximo para prender a atenção do público e depois percorra todo o caminho que conectou os pontos até lá.

A Nike — sim, os caras manjam mesmo — tem um exemplo legal: esse filme com o famoso corredor Mo Farah.

Lembrei também de um filme da Gatorade com Kevin Durant e Dwyane Wade que é outra referência interessante.

4. Ideias convergentes

Essa estrutura é usada quando se quer mostrar que diferentes pontos tem o poder de se unir para formar uma ideia ou chegar a um conceito.

Ela é uma alternativa para representar o nascimento de um movimento ou como uma ideia central levou diversas pessoas a buscarem um só objetivo.

Considere ela para séries de branded content que abordam histórias reais e de diferentes personagens.

Ideias convergentes também se aplicam às narrativas onde dois personagens rumam seus caminhos e se encontram em um algum ponto por uma motivação mútua.

A série de branded content Humanidade [Em Mim] é um exemplo que vale a pena conferir.


Sit down & write…

Esses não são nem de perto os únicos modelos de storytelling existentes.

Tampouco esses modelos que citei precisam existir sozinhos.

Experimente!

O foco desse post é trazer alguns exemplos práticos, inspiração e, consequentemente, responder à pergunta lá do começo feita pelo meu amigo.

Explore as possibilidades da sua marca.

Conteúdo que convence tem contexto e entrega valor, mas também entretém com uma boa história.