A influência dos gêneros musicais no Mercado Público de Joinville
Você já parou para pensar por que toca rock naquele barzinho que você costuma ir com seus amigos? Será que é o gosto musical do dono do bar? Das pessoas que trabalham lá? Sim, pode até ser, mas estudos vêm comprovando que o gênero musical pode fazer você consumir mais bebidas, mais comidas e passar mais ou menos tempo no local.
No Mercado Municipal de Joinville (MMJ) não é diferente. Junto aos colegas do curso de Design Thinking e Novos Negócios da Univille, observei como o gênero musical pode influenciar o consumo dos moradores e turistas que passam por lá.
O MMJ é um ponto turístico do município, possui boxes com açougue, peixaria, verdureira e comercialização de produtos naturais. Além disso, possui dois restaurantes e muita música ao vivo.

Imersão
O primeiro passo para dar início à pesquisa foi fazer uma imersão de observação no local, após observar e anotar tudo o que dizia respeito aos hábitos de consumo dos clientes, organizei minhas anotações em uma síntese visual representando a idade média dos consumidores, o que estavam comendo, bebendo e como se comportavam. Percebi, em uma sexta-feira a noite, o consumo de garrafas de cerveja 600 ml, petiscos como batata frita, filé de peixe, pastel e, por ser um local aberto, o consumo de muito cigarro. A dupla que se apresentava nesta noite, tocava música popular brasileira.
Após a síntese visual, utilizei um mapa de contexto, afim de entender tendências de consumo e tecnológicas, levantar dados sobre leis e economia e verificar o que a concorrência vem fazendo. Este mapa foi importante para visualizar problemas existentes e levantar hipóteses sobre problemas que ainda podem acontecer.
O terceiro passo para entender os hábitos dos consumidores foi bater um papo com Valmir Santiago, proprietário do Stammhaus Café e ex-síndico do MMJ. Em nossa conversa, Valmir afirmou que o local é conhecido como o lugar mais democrático de cidade, não refletindo somente sobre a diversidade das pessoas que passam por lá, mas também do gênero musical que embala suas noites e finais de semana.

Gêneros musicais
Foi neste bate papo que descobri que o gênero musical é um dos principais responsáveis pelo aumento do ticket médio de consumo nos restaurantes do MMJ, ainda mais que o período do mês. Segunda Valdir, o sábado, por exemplo, dia que o rock geralmente toma conta do local, corresponde a 45% do faturamento mensal do Stammhaus. Nas páginas do Facebook do Mercado Municipal e do Stammhaus é muito comum encontramos avaliações de pessoas se referindo ao gênero musical.
“Rockzinho de sábado. Bom atendimento nos barzinhos. Tudo muito gostoso. Recomendo.” (Avaliação na fanpage do Mercado Municipal)
“Muito bom para fazer um happy hour com os amigos ou simplesmente conversar. Boa música quando é rock e cerveja a preços acessíveis. Vale a pena ir.” (Avaliação na fanpage do Stammhaus)
Fazendo uso de um questionário online e a entrevista pessoal com consumidores — uma das ferramentas mais utilizadas durante a imersão no processo de Design Thinking — pude perceber que a música que está tocando no ambiente é um ponto decisivo para a permanência das pessoas no local e, se o som não agrada, é possível que as pessoas mudem de estabelecimento.
Através do Valdir descobri que quando é dia de pagode, as pessoas bebem mais cerveja em garrafa e comem menos, já nos dias que tocam MPB a cozinha costuma ficar cheia — o que valida a primeira observação feita, e, nas noites de jazz, aumenta o consumo de chope em caneca.
“Local muito aconchegante. Na quinta feira estava tocando música MPB, chopp artesanal, petisco maravilhoso. Muito bom para passar tempo relaxando.” (Avaliação na fanpage do StammHaus)
Em pesquisa online realizada com 68 pessoas, pude descobrir que a música é, segundo os entrevistados, o segundo maior atrativo do MMJ, atrás somente dos eventos — que geralmente possuem shows ao vivo também.

Estas observações feitas no Mercado Municipal de Joinville podem ser afirmadas em estudos encontrados durante uma rápida pesquisa desk, onde pude verificar que é possível afirmar que músicas rápidas são usadas para aumentar o lucro à base de álcool. Isto porque o ritmo da música está ligado ao nível de excitação dos clientes, e músicas rápidas fazem com que eles façam tudo mais rápido, inclusive comer e beber. Por outro lado, músicas lentas podem fazer com que os consumidores passem mais tempo no local, comendo e bebendo mais e por mais tempo.
Ou seja, é possível concluir que determinados gêneros musicais podem aumentar a lucratividade, mas o Mercado Municipal de Joinville ainda opta por atender aos mais diversos gostos musicais, intercalando gêneros e dias da semana, o que dá ainda mais ênfase ao seu rótulo: o local mais democrático da cidade.
Jessin T. Xavier | Design Thinker
