Os flamboyants mais charmosos de Joinville
Este post tem como intuito relatar como instalações e serviços prestados pelo Mercado Público Municipal de Joinville, afim de sugerir melhorias para o local.
Breve história
Pessoas das mais diversas descendências ganhavam a vida à beira da baía Babitonga, no coração da cidade que começava a se desenvolver no Norte de Santa Catarina. Esse era o cenário de Joinville, hoje a cidade mais populosa de Santa Catarina, no fim do século 19. O rio que corta o Centro da Cidade era rodeado por cais, porto, armazéns e moinho de trigo. Em 1907, o então prefeito Procópio Gomes de Oliveira - nome de avenida que inicia logo ali - inaugurou o primeiro Mercado Público de Joinville. Desde sua fundação, o Mercado Municipal é movimentado pelo comércio. A arquitetura do Mercado Municipal de Joinville nem sempre foi o estilo enxaimel. Quando inaugurado, sua arquitetura era açoriana.
Fonte: web
Na primeira gestão do prefeito Luiz Henrique da Silveira, o prédio antigo foi demolido. Em seu lugar, foi construído o atual prédio, que obedece fielmente ao estilo germânico de ser do joinvilense. O nome Mercado Municipal Germano Kurt Freissler é uma homenagem ao empresário joinvilense.
Ponto de encontro
Vários eventos são promovidos na estrutura do Mercado Municipal, são de comércio, encontro de carros, shows que vão do samba ao rock, feiras gastronômicas e manifestações culturais como o MAJ Sounds. Esses eventos reúnem diversos tipos de públicos. Recebemos em sala de aula, Valmir Santiago Júnior, síndico do mercado público, que passou diversas informações sobre o local. Segundo Valmir, o mercado é hoje mais que um local de comércio e sim um ponto de encontro e cultural. Isso ocorreu depois da parceria fechada entre administração e Fundação Cultural de Joinville. A partir dessa parceria, todos os participantes do Projeto Autoral podem tocar na praça do Mercado. Há remuneração, além da oportunidade de mostrar o trabalho ao público que vai a praça do Mercado.
Observação no local
A partir da conversa que tivemos com o Valmir, fomos ao Mercado em duas ocasiões e em horários diferentes, uma para observação e outra para entrevistar as pessoas que estavam no local. Na fase de observação, notei que o mercado não era apenas visitado por um grupo social, pois haviam solteiros, famílias e seus mascotes, além de pessoas de todas as idades, seja durante o dia ou à noite. Verifiquei que ao meio dia, muitas pessoas iam almoçar por conta do preço atrativo e da feijoada aos finais de semana. O que não faltava em cima das mesas era o chopp. Eu tinha uma imagem sobre o mercado, pensava que ali encontraria ingredientes culinários de difícil acesso, frutas e verduras orgânicas e frescas, mas numa pesquisa breve notei que não há diferença do supermercado tradicional, pois não encontro esses produtos. O único produto fresco e principal atrativo comercial, são os pescados.
Entrevista online
Em conjunto com demais alunas, formulei uma entrevista online para direcionarmos ao público visitante do mercado. Obtivemos 69 respostas, a maioria do público tem idade entre 20 a 30 anos e renda mensal de até dois salários mínimos, diversas profissões, como administradores, designers, professores, dentistas, fotógrafos, vendedores e etc. Quando questionados se vão com frequência ao mercado, 75% dos entrevistados responderam que raramente e 10% que uma vez ao mês. Sobre gêneros musicais, os mais selecionados foram rock, MPB, samba, pagode e sertanejo. Os atrativos do mercado municipal, segundo a pesquisa, são os festivais gastronômicos, o espaço ao ar livre e gastronomia local. Indagados como se sentiam em relação a conforto, higiene e preços, a maior resposta em todos os quesitos foi regular. Tendo higiene considerada ruim, com mais de 20 votos logo atrás de 40 votos para regular. Deixamos em aberto, a aba de sugestões para o mercado, nas quais foram sugeridas, mais lojas, boa limpeza, mais banheiros e segurança ao local, pois alguns andarilhos abordam cliente do mercado. Também que fosse mais confortável, decorado e o paisagismo revigorado. Sobre a gastronomia, citaram o famoso sanduíche de mortadela do mercado de São paulo.
Sugestões
Tendo formação em design de interiores, geralmente costumo trazer minha avaliação para este foco. Levando em consideração as respostas que muitas vezes citaram o conforte, a higiene, a estética do lugar, faço minhas sugestões:
Sobre conforto, percebe-se que são postas cadeiras de plásticos em uma área e outra longos bancos e mesas de madeira. O interesse para não haver divisões, seria utilizar uma linguagem estética igual para toda a praça. Instalar bancos e mesas de madeira em todos os restaurantes, algumas menores para casais e outras maiores para famílias e grandes grupos. Em relação a higiene, o que visualizei foi diferente das respostas obtidas, pois os banheiros estavam limpos. O problema era o forte cheiro de pescado, que remetia a falta de higiene. Na área coberta por flamboyants, era permitido fumar, o que incomoda não fumantes pois toda a área é ao ar livre, e as folhagens criam uma espécie de “teto” para o local. O ideal seria a delimitação de área de não fumantes logo a baixo dessa árvore e de fumantes em área aberta. Para a estética do lugar, a instalação de varal de luminárias com todos os bancos de madeira e a natureza dos flamboyants dariam o ar ideal a proposta do mercado público.
Essa ideia traz iluminação ao lugar que não é tão iluminado quanto se deseja e também seria atrativo a pessoas que transitam pelas vias que circulam a praça. O paisagismo também deve ser levado em consideração e ser cuidado e revigorado, a instauração de jardins floridos e verdes ao redor daria conta do pedido.
Priscila Larroyd Tambosi | Designer de Interiores
