Segurança no Mercado Público de Joinville.
Mais do que um prédio histórico de Joinville o Mercado Público é também um ponto de encontro de joinvilenses e turistas. Hoje, além dos estabelecimentos internos, com peixaria, verdureira, barbearia e demais comércios, o ponto conta também com área externa, tendo uma praça de eventos e lanchonetes que servem petiscos, lanches e cerveja artesanal ao som de música ao vivo.

Foi nesse contexto que a turma de especialização em Design Thinking da Univille, coletou, compartilhou e discutiu dados, a fim de fazer uma pesquisa em design e assim sugerir soluções e mudanças para o local. Para essa pesquisa, foram realizadas as técnicas de observação, mapa de contexto, entrevista e questionário.
A observação foi realizada numa sexta-feira a noite, era final de mês e o movimento estava fraco, porém foi possível coletar algumas informações relevantes. Os dados obtidos nessa observação resultaram em um infográfico que reúne os principais dados observados.

Nesse infográfico dei destaque a alguns padrões de comportamento. A maior parte da clientela estava consumindo chope ou cerveja. Os grupos de amigos bebiam, fumavam e interagiam com o celular, enquanto familiares, consumiram também lanches e petiscos.
Além das informações colhidas em campo foi realizada também pesquisa online, das avaliações e comentários nas redes sociais. Combinando os dados obtidos foi feito o mapa de contexto. Com esse mapa foi possível organizar melhor as informações, de forma crítica.

No mapa foram organizadas informações de tendências demográficas, leis e regulamentações, economia e ambiente, competição, tendências tecnológicas, necessidades do usuário e incertezas. Entre os pontos levantados estão as intempéries que prejudicam um dos maiores atrativos do ambiente, que é o espaço aberto. As próprias leis do município com relação ao som e as mesas na calçada. Como ponto negativo se vê também, que a os concorrentes, procuram investir muito mais na diversidade de pratos, cuidados com ambiente e segurança, além das tendências como aplicativos e self-service.
Outro método utilizado foi a entrevista. Foram entrevistadas 11 pessoas em um sábado de manhã, com movimento médio. Entre os entrevistados haviam pessoas que frequentavam o local pela primeira vez, e outros que iam com periodicidade, sendo 9 joinvilenses, e 2 turistas. Citaram que um dos pontos fortes é a música ao vivo, e o espaço ao ar livre que consideram agradável e democrático. No entanto pediram melhorias quanto ao cheiro da peixaria, da falta de variedade das lojas e da segurança, principalmente no período noturno, motivo pelo qual alguns só frequentavam durante o meio-dia.
Alguns desses comentários foram vistos também no questionário online que obteve 69 respostas para as 9 questões. Destes, 75% frequentam raramente o mercado. E os maiores atrativos são em 63,2% os eventos, 45,6% a música e 44,1% o espaço ao ar livre. Quando perguntados se o mercado atende as expectativas, 60,9% responderam média 3 (em escala 1 à 5). Como pontos a serem melhorados citaram o atendimento, a variedade de lojas, organização dos eventos e shows, a falta de identidade, higiene, conforto e segurança.
Como podemos ver os problemas levantados foram muitos. No entanto, um dos pontos que me chamou atenção foi a sensação de insegurança. No mapa de contexto esse problema é citado três vezes, como uma necessidade do usuário, um ponto competitivo e de incerteza com relação ao cenário atual. A sensação de insegurança foi sentida também pelos alunos, durante a observação, fomos abordados por transeuntes vendendo doces e outros pedindo dinheiro.
Além da experiência pessoal, esse foi um problema levantado também por avaliações na página do Facebook. Um dos clientes disse “O lugar está muito bonito, mas o serviço deixa a desejar. Faltam garçons, e os clientes são perturbados por transeuntes.” Outro comenta também “Os banheiros não estavam limpos e pouca segurança no local…”. Além das avaliações, no questionário e entrevistas também foi um ponto levantado como ponto a ser melhorado. Uma das respostas foi “Gostaria de mais segurança e diferenciais…”.
Acredito que essa sensação de insegurança, não seja só por causa das abordagens, mas pelo desleixo com o local que é mal iluminado e sem nenhuma pessoa responsável pela vigia, ou que possa tomar alguma atitude em situação de perigo. Mesmo sendo um espaço público e com movimentação, a falta de iluminação deixa o espaço com aspecto de “abandono”. Como solução, a sugestão é melhoria na iluminação do mercado em si e da praça como um todo. Da contratação de seguranças ou vigias principalmente para o período noturno, e talvez a colocação de uma cerca aberta, que seja baixa, mas que delimite a praça e o mercado do espaço da rua.
Tatiana Ignacio
