Segundos desconexos

Estou profundamente imersa na realidade, e o tic tac do relógio corta este silêncio ensurdecedor da forma mais cruel possível. É engraçado como o tempo, algo tão completamente inventado, é capaz de nos sufocar e nos perseguir sem que tenhamos qualquer possibilidade de escapar.

No desespero de escapar a mera ilusão das horas, acabo perseguida pela claustrofobia que a existência me causa. O mundo é pequeno demais pra minha ânsia de viver. Quanto de mim sou eu? Quanto de mim é mero reflexo do caos que existe lá fora? A cada pergunta uma nova cicatriz que marca minha pele com o peso dos anos tão metodicamente contados.

Tantos anos, tantos eus. Minha alma dividiu-se entre cada uma das pessoas que já fui. Os fragmentos restantes não parecem fortes o suficiente para resistir às garras de um passado tão incerto. Na minha mente o futuro confunde-se com as memórias ofuscadas pela constante busca por mim mesma. Entre tantos segundos desconexos trago comigo apenas uma certeza: a imensidão do tempo é pequena demais para mim.

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