Uma noite chuvosa na vida de alguém que foi numa festa, fez uma caminhada e tomou algumas xícaras de chá.

Era noite, e geralmente é quando isso acontece, e era tarde. Um grupo de umas cinco pessoas estava sentado num tapete felpudo, tomando chá. Era errado chamar aquilo de noite, já passavam das três. Todos estavam sonolentos bebendo o chá e ouvindo uma playlist que já estava tocando por alguma vez seguida. Um belo toque de familiaridade passava ali, mesmo que ninguém se conhecesse muito bem; estávamos todos perdidos numa festa qualquer de algum amigo em comum.

- Certo gente, — disse o dono da casa, desligando a música — eu acho que chega, não? Certo, certo.

Caindo num sofá e numa risada bêbada, acabou caindo num sono.

Demos de ombro, e alguém começou a falar sobre alguma viagem de férias pra alguma praia e algum acidente envolvendo sacolas plásticas ou águas vivas, ou águas vivas que se pareciam sacolas plásticas, e felizmente alguém começou a falar alguma coisa sobre alguma outra viagem, e sobre um problema de estômago e sobre passar mal em postos de gasolina com péssimos banheiros, e então alguém começou a falar mais alguma coisa sobre postos de gasolina e eu resolvi que era a hora perfeita pra sair dali.

Caminhei por um tempo até ser impedida, por uma viatura e uma chuva. A viatura tinha policiais dentro e eles queriam saber se eu tinha visto algum movimento estranho, o que respondi com um grunhido que deveriam ser palavras e um dar de ombros. A chuva começou fininha e logo engrossou bastante, e a isso eu respondi amaldiçoando o fato de antes estar tão calor que eu não estava nem de sapato fechado, e correndo até primeira coisa que oferecesse abrigo, que era uma árvore e não oferecia tanto abrigo assim; também passei a odiar esses bairros cheios de casas e nenhuma cobertura na rua.

Esperei a chuva passar, ou diminuir, o que aconteceu em uns dez minutos, e então continuei minha jornada, andando com minha sandália escorregadia, tremendo de frio.

Cheguei em casa, já eram perto das quatro e dez. Tomei um banho quente, coloquei um pijama, preparei uma xícara de chá e sentei na rede da sacada observando o pequeno movimento de início de manhã por lá; raros carros passando, raras pessoas acordando.

Dormi na rede, acordei depois das onze, tomei um chá, preparei fatias de pão com margarina e queijo e é isso aí.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated duda fank’s story.