Flores secas
Um senhor panha sempre-vivas na serra
Ele olha pra cada pedacinho de chão que há muito não vê chuva,
ele olha pra cada rachadura na terra,
como são belos os rios que se formam na ausência.
Flores brotam das cicatrizes
O senhor toca sua própria face e sente em si as marcas
de chuvas, secas, primaveras e ventos frios.
Um senhor panha sempre-vivas dos olhos,
deixa brotarem nos buracos
permite-se preencher-se novamente como a terra.
Um senhor panha sempre-vivas na serra e me entrega com um recado
ele diz que a vida é como as sempre-vivas
belas por existirem, serem presença até onde o sentido não alcança
Bárbara sente, as flores e as pessoas morrem
Minha amiga, eternidade é um lugar dentro da gente
Uma senhora se despede, não diz adeus,
apenas sorri com olhar de infinito,
me olha como as sempre-vivas.
No verso da carta uma observação :
de um velho amigo chamado tempo.
-Duda Xavier

