Ninho

Flores secas de amores passageiros

Desprendem-se espinhos que outrora perfuraram.

Os ventos escutam cachoeiras

que despejam de futuro o presente passado

Folhas secas de outono derradeiro

nutrem com a morte o solo machucado.

Ó bela musica que cantam ao longe

em seu estalar orgásmico sussurrado

Contorcem-se secos os galhos

imaculados pelo sol, cerrado.

Como velhas senhoras vestidas de retalhos

buscam profundo no ventre terreno, o leite derramado

Em qual língua conversam as pedras?

Falar, por mim, tão ignorado.

A paralisia inconstante dos seres transeuntes

que cristalizam em si, histórias do sôfrego amor ao amargo

Enfadonho, confesso, o lirismo bucólico,

da seca que sofre sem sertão.

Nem galho, planta ou estação

o que molha a terra não sacia a solidão

Anônimo um pássaro pergunta :

O que te inquieta o coração?

-Duda Xavier

autorretrato por Duda Xavier
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