A indústria mata o porco que não presta!

Os porcos são mamíferos, fazem parte de um conjunto específico _apresentam pele roseada, pelos cumpridos, gordurinhas mal destribuidas e narizes pitorescos_ (assim como eu). A minha barriga é um toucinho, peludo, pelado, marcado e cheio de dobrinhas. É uma pele que não vê o sol.

A fila de porcos estava grande, rentável, palpável e concreta. Éramos muitos, fazíamos barulho. Logo logo seríamos descartados. Tínhamos virado plástico.

Faça a análise: “virar pó”, “virar plástico”. O ar carrega o pó e faz sumir a olho nu.

Hoje no elevador do prédio comercial, derrubei suco de morango. O suco estava num copo de plástico que nunca tinha me intrigado tanto como fazia naquele instante. Nem o plástico nem os porcos inúteis são descartáveis. O pó talvez seja. Eu não limpei a bagunça, perdi metade do suco.

O chiqueiro me contempla, está no meu genoma, vem do horóscopo chinês. A minha vó é porco, “neta de porco, porco é”. Fiquei triste. Cheguei em casa. A meta era: organizar o quarto e a vida. Sentei no chão, deitei na cama _lotada de roupas, cabides, acessórios, livros e cadernos. Não organizei nada. Fui ceifada. Agonizei.

Talvez eu seja um bicho preguiça.