Empreendedorismo em tempos de crise

Se existe algo que precisa correr na veia do empreendedor é coragem, sendo que acrescento nessa receita uma xícara bem cheia de persistência. Escuto a um bom tempo que é na crise que nascem as oportunidades. Isso é bem verdade, sendo que minha história como empreendedor começa quando eu estava no olho do furacão, no momento de muita dificuldade profissional, resolvi então abrir uma empresa. Lembro que juntei as moedas até para pagar um bloco de nota fiscal. Começo é começo e tive que lutar muito para fechar o primeiro contrato. Essa luta e persistência para fechar um negócio me ensinou algo essencial para qualquer empreendedor, seja ele dono de uma pequena empresa ou de uma multinacional: Preste muita atenção no seu cliente!

As relações de consumo sofreram mudanças vigorosas nos últimos anos e, entre essas mudanças está o aumento do poder de escolha dos clientes — quer pelo número de produtos e serviços, quer pela expansão das modalidades de compra e venda. Mas o que é perene na antiguidade e na atualidade é o entendimento de que os relacionamentos são fundamentais para a troca comercial.

A articulista do Advertising Age Kate Maddox escreveu recentemente que “quase metade (49%) dos CMOs [considera] (…) que a redistribuição do poder de compra dos consumidores será um dos principais impulsionadores da mudança ao longo dos próximos anos”. A verdade é que algo muda agora.

É preciso estreitar a relação de confiança com as marcas que consumimos e, se uma marca não está aberta a proporcionar bem-estar, ela será naturalmente abandonada — com uma grande chance de ser uma decisão definitiva. Afinal, com tantas opções, por que vou insistir em comprar algo que, além de não superar minhas expectativas, ainda me traz problemas. As empresas que se aprimoraram para vencer a concorrência e as intempéries do mercado estão atentas a “uma relação robusta”.

Também não é o caso de se tornar parente das coisas que compramos. Por isso é que essa relação com o cliente se nivela especialmente pela qualidade do produto ou serviço, e a experiência e maturidade da relação comercial. Isto é, as necessidades de cada pessoa são muito exclusivas. Quando temos um negócio, é preciso saber o que o cliente realmente precisa. Não raro, comerciantes, advogados, publicitários, e profissionais de “contato” brincam que são “psicólogos” dos clientes. Se o cliente escolhe o produto do meu concorrente, não há nada de errado obrigatoriamente. Mas, se eu não quiser saber por que isso aconteceu, o fim do meu negócio está anunciado.

É nesse contexto que novos produtos e serviços estão surgindo com uma força cada vez mais incomum. Em meio a um cenário de crise econômica, o formato de negócio digital está reinventado tudo. Para citar dois casos históricos, Uber e Netflix resolvem anseios dos consumidores, e esse é um princípio dos novos negócios. Essas empresas foram criadas a partir do questionamento: “do que meu cliente realmente precisa?”, e não da vontade de algum empreendedor que quer dar solução aos próprios desejos.

Quando abrimos o sonhado negócio próprio, não temos a mínima noção do vem pela frente, matamos um leão por dia e é preciso coragem para pensar que basta cada dia um leão. Com o tempo vamos sendo moldados e aprendemos com a batalha de cada dia. Nosso cliente é o melhor professor nessa escola.

Resumo da ópera, sua escolha consumidor é fundamental para muitos empreendedores atentos a isso. E não seja muito conivente com seus fornecedores. Se eles não gostam tanto de você, tem quem goste.