Síndrome da Humildade

Existem aqueles que sempre acreditam em seu potencial, sem deixar transparecer qualquer soberba, existem aqueles que a soberba é tamanha que acaba sendo maior que o real potencial e existem pessoas como eu, que por mais que digam que são boas no que fazem, sempre encontram um “auto-boicote”, uma forma de se deixar no lugar padrão. Não é fácil lidar com isso, pois nos enxergamos sempre inferiores aos outros, com receio, muitas vezes, de parecer nariz empinado, sem humildade.

Então, os momentos de provar talentos e afins, são desafios maiores do que pra quem não é pessimista, porque além de termos de lidar com a ansiedade do momento, temos que lutar contra nós mesmos, tentando nos convencer de que sim, nós somos bons e não estamos aqui à toa. Quem não passa por isso, não tem noção do sofrimento interno que acontece a quem é sempre pessimista. Tudo acaba sendo uma grande dádiva: fico no meu canto, fazendo o comum e sendo humilde ou mostro meu potencial e parecerei me achando? Porque sim: é essa impressão que aparentemente passaremos, se começarmos a sair da zona de conforto.

Mas aos poucos, as pessoas que estão ao nosso redor começam a nos convencer de que podemos sim, ser bons no que fazemos. E lutar contra si mesmo torna-se uma batalha muito maior do que um dia pôde esperar. E a música é uma das maiores formas que encontrei de vencer essa timidez e receio de ser alguém melhor.

E começo a levar como lema de vida, um trecho de “Daniel na Cova dos Leões” que diz: “Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor e insistir em usar os remos”.

Mostraremos quem somos, estudaremos para melhorar, mas não ficaremos mais à sombra da nossa síndrome da humildade.