Há dias venho utilizando o Paper, novo aplicativo do Facebook. A experiência foi tão disruptiva em relação ao Facebook Mobile, que já não consigo nem navegar pelo aplicativo antigo. Essa mudança já havia sido anunciada pelo TechCrunch há um ano.
O Paper é mais uma prova do caminho que o Facebook resolveu cursar: tornar-se o jornal da nova era. Como noticiado pela própria empresa, sua News Feed agora será preenchida por mais notícias e conteúdos relevantes, menos memes e conteúdos de amigos.
Agora você não tem mais apenas a Timeline do Facebook, mas também pode adicionar seções diferentes, com temas diversos, que vão desde manchetes do dia até fotos fofas, passando por tecnologia, empreendedorismo e outros. A navegação entre eles é simples e intuitiva.

Sua interface, totalmente redesenhada, é inovadora e abandona, pela primeira vez, a identidade azul, cinza e branca da empresa. As imagens tornaram-se full bleed, e respondem ao acelerômetro do iPhone. Textos são sobrepostos e vê-se pouquíssimo destaque para funcionalidades antes muito relevantes na plataforma, como notificações, solicitações de amizade e mensagens. O foco é no conteúdo.
Sua UX segue a linha do storytelling, dividindo posts em histórias. Cada história, seja ela um post, foto, vídeo ou link, tem a sua cartela e, quando selecionada, utiliza a tela inteira. E o melhor: as microinterações. São muitas, novas, belas, fantásticas. Desdobrar uma notícia é prazeroso, você realmente sente estar abrindo um jornal ou uma revista. Navegar entre as histórias é quase orgânico de tão sutil. Sem distrações na tela, vídeos e fotos ganham destaque, tornando a experiência imersiva. A navegação por acelerômetro criou a possibilidade de visualização de fotos em alta resolução em sua plenitude. Todos os efeitos foram atualizados, e são tantas atualizações que prefiro deixar a surpresa pra vocês.
O aplicativo já pode ser considerado como o melhor e mais inovador já desenvolvido por Zuckerberg e sua equipe. Estou muito curioso para saber o que estão planejando para a interface web, pois uma vez que todos estiverem utilizando o Paper, a rede social como existe hoje não fará mais sentido, será uma experiência dissonante e nada agradável. Já não faz pra mim.
Paper foi desenvolvido dentro do Creative Labs, uma nova divisão criada para desenvolver novos aplicativos, em cima da plataforma Origami, uma ferramenta de prototipagem rápida de interfaces, que disponibiliza aos designers uma forma de criar e testar animações complexas sem a necessidade de programadores. Como citou a Fast Company, um Photoshop para o Design de Interação. A ferramenta foi construída pelo próprio Facebook, e é uma iniciativa que facilitará o objetivo da empresa de desenvolver uma série de aplicativos discretos para concorrer com as novas redes sociais e, ao mesmo tempo, não atingir sua extensa base de membros.
Para fazer download do Paper, você deve ter uma conta na AppStore americana, pelo menos por enquanto. Para quem tem, faça já. Para quem não tem, sugiro que crie uma o quanto antes. Ah! Na hora de fazer download, não confudam com o Paper by Fifty-Three, que vem dando dores de cabeça aos executivos do Facebook e promete uma briga judicial pelo nome. Aproveitem para ver o vídeo de apresentação do aplicativo.
Nota: após escrever por aqui, lembrei-me de um designer genial, a quem respeito demais, que há um tempo trocou a Apple pelo Facebook. Sabia que tinha o dedo dele ali. E não errei. Parabéns a Mike Matas, o Design Lead do projeto. Matas também é o fundador da Push Pop Press, empresa responsável pelo livro digital de Al Gore, Our Choice, que foi comprada pelo Facebook em 2011.
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