Não é ideologia


O que mais irrita nessa história do Boticário é a polarização que a repressão (evangélica ou não) tenta criar. Porque não é gay vs. evangélico. E não tem de ser! A ação repressora pode ser maliciosa, mas a reação não pode: não é um campeonato de quem grita mais alto.

Vai ter gay sim! Tá tendo, não tem freio. Valeu, Boticário! Mas enquanto a gente discute se gay pode dar perfume pra namorado (?), o Brasil segue firme na liderança de crimes homofóbicos. Não é embate de ideologia. A essa altura, é questão de humanidade.

Dane-se Dia dos Namorados! A realidade não escolhe dia, nem tá na TV. Porque é triste, brutal e violenta; é expulsa de casa, leva facada, não tem emprego porque não tem nome. Não é Bianca porque é Marcos. Não é André porque é Ellen. E quando finalmente acontece, quando esse, que se vende como embate ideológico, chega ao seu limite fica foda, feio, ensanguentado. Dá ruim de ver, não ganha atenção, nem vídeo no YouTube.

Não ganha — mas deveria!