Capítulo de hoje do manual da vida: a mensagem de texto.

A cada vez que uma mudança tecnológica acontece, cada vez menos estamos preparados para as suas consequências práticas.

Já alertei para as consequências do não refletir sobre como nos comportamos neste link, então não irei me repetir.

Mas eu me lembro do mundo pré whatsapp. Era tão mais real. Entendíamos que a rede não funcionava quase sempre, então sms nem sempre eram entregues.

E nenhum funeral era marcado por conta disso.

Só que em menos de três meses, quatro pessoas apareceram na minha residência pois acharam que ocorreu algo, uma vez que eu não atendia o celular e nem respondia mensagens. Nem passa pela mente das pessoas que eu posso não estar acessível por vontade própria. Já perdi as contas de quantas vezes debati isso na terapia. Ela diz: não atenda. E ao não atender, aparentemente, morro.

E mesmo morto, creio que apenas em 50% dos casos abro a porta de casa. Mas em 100% deles, gostaria de entender que ansiedade é essa, que não sofro.

Talvez se eu explicar como utilizo este sistema, uma vez que a dica pode ser útil para quem quer se livrar dos problemas por ele causado, o (meu) mundo pode tornar-se menos cansativo.

• Quando envio a mensagem: graças aos avanços da tecnologia, aparece lá que a pessoa leu. Entendo que não é possível responder uma mensagem na hora. Então quando quiser, ou puder, responda. Ou não responda. Muitas das mensagens que mando não precisam de resposta mesmo. Ou não merecem.

• Quando recebo a mensagem: muitas vezes estou lavando roupa, brincando com o cachorro, tocando violão, dormindo, enfim, tenho uma vida que pouco tempo sobra para estar disponível para eu mesmo, então não estou disponível fora do horário comercial sempre que querem. Só respondo quando posso. E sou desses, demoro mas respondo. Só não respondo quando não tenho o que responder. Se tenho o que responder, quando puder respondo. Se não puder, não adianta cobrar resposta. Ou venha lavar minhas cuecas, assim conversamos pessoalmente.

Espero que tenha sido bem elucidativo, uma vez que se eu for convidado para meu próprio enterro via facebook, mesmo sem confirmar a presença, irei. E levarei cerveja.

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