Para que (e a quem) serve o atual jornalismo de games brasileiro?
Felipe Pepe
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A parte das panelinhas está correta, e é um fenômeno mundial: Gamergate surgiu justamente por uma situação mais escrachada que o normal desse relacionamento incestuoso entre a galera “vip” do meio, e os mesmos gatekeepers conseguiram distorcer, ocultar e falsificar informações de toda cobertura de seus sites até a entrada na wikipédia (que os usa como fonte.)

O resto é presunçoso e traz mais reclamações que soluções. Muito desse conteúdo que você reclama é justamente a linha que traz mais cliques.

Sinto muitíssimo se o seu projeto não recebeu a cobertura que você queria de quem você queria, mas tem empresa brasileira do meio que não se importa mais em ser famoso como “brasileiro”. Entre isso não trazer vantagem nenhuma (exceto para ser contratado para jogos de futebol), e o mercado que mais paga estar situado fora daqui, onde o ideal é mostrar o mínimo de barreiras possíveis no pitch (sejam geográficas linguísticas ou culturais), ser o “orgulhoso desenvolvedor tupiniquim” vale bem pouco. E se o dev brasileiro não se vende assim, que revista vai querer comprar a briga de procurar algo pouco divulgado, pouco procurado e que dá bem menos cliques do que falar do último zelda?

Fazer paralelos sobre o preço dos games varia entre desonesto e hipócrita: Video Games NUNCA foram baratos aqui. http://link.estadao.com.br/blogs/modo-arcade/quanto-custavam-os-videogames-na-epoca-em-que-foram-lancados/

O preço do Switch de hoje é similar ao preço do Snes do passado. Quando o absurdo bate, damos um jeito no mercado cinza. Não é bonito, mas a ótima série da Red Bull que você postou é EXATAMENTE sobre isso.

Você quer mesmo essa “adequação ao poder aquisitivo” na marra e que a página da IGNbr tenha 80% do seu espaço para games até 50 contos no Steam, shovelware gratuita da iTunes/Play Store e só façam reviews dos jogos grandes quando eles pegarem 75% de desconto? Isso implicaria jogar fora o tempo hábil das publicações e trancar de vez o Brasil meia década atrás do resto do mundo na área.

Agora, o que mais você quer? entrevistadores procurando desenvolvedores brasileiros que gastam todo tempo buscando cobertura do exterior e pelos seus games, NÃO pelo país onde trabalham? Especiais na KotakuBR sobre como desbravar a Sta. Ifigênia ou o camelódromo de Porto Alegre atrás daquele game caro demais no mercado oficial? Formas de burlar a receita em importação de games do Paraguai ou China? ou matérias sobre cracks e jailbreak do PSVita?

Matérias do tipo sofrem maior escrutínio em grandes sites. No passado “era tudo mato”, e muita empresa de games sequer se importava coma existência do país, então uma matéria sobre como baixar emulador para jogar game pirata de Snes era possível sem a Nintendo mandar um DMCA mais rápido que a velocidade do som.

Hoje é mais fácil controlar informação e ser visto, e isso faz com que o Brasil exista: no lado bom, existe para trazerem games e pagarem alguma forma do conteúdo aqui, no lado ruim, pagam mais a propaganda da cobertura jornalística que a distribuição e lembram mais rápido de nós como uma outrora nação pirateira e eterna casa dos quase 100% de imposto em cima de cada jogo do que como mercado eternamente legítimo.

A ÚNICA parte 100% válida é a falta de “especiais” sobre cada jogo por aqui, mas vem com outro problema: O período foco de um game acaba mais rápido do que a capacidade de processar tudo sobre ele: Até alguém terminar uma revista ou matéria especial sobre a lore de Dark Souls, com diálogos traduzidos, estratégias roubadas do gamefaqs e etc, o “jogo do momento” já é outro ou sua informação fica desatualizada por causa dos patches. Mesmo nos Estados Unidos, publicações focadas nisso (como a Bradygames) sofrem pois, ao lançar um livro com o guia do jogo, ele se torna obsoleto em questão de semanas por causa de patches e DLCs. Imagina isso com jogos de luta ou MOBAs, que possuem grandes rebalanceamentos numa base semestral.

Mesmo assim, especiais como os da revista Old! Gamer ainda possuem espaço, mesmo que a maior parte do conteúdo já seja conhecida do público alvo.

Site grande só consegue operar com Hard News, só com a onda do momento. Não possui competência nem interesse em trazer algo diferente.

Quanto ao resto, cabe ao autor definir como vai atuar. Você pode questionar ele nos comentários, recusar-se a pagar o apoia.se do cara, e, principalmente, apresentar publicamente e com detalhes quando ele fizer uma cagada grande. Fora isso, faz parte do jogo e, querendo ou não, se tem público é porque algo que está sendo feito ali é o que alguém quer.

OBS: Usar o relançamento do Mega Drive, que foi feito para o nicho saudosista (e/ou porque a Tectoy não consegue licenciar mais nada do gênero) e definitivamente NÃO para competir no mesmo âmbito que todos os outros consoles da geração, pcs, celulares ou qualquer outro dispositivo gamer. foi jogada de desinformação para tentar colocar mais exemplos do que você tinha no primeiro parágrafo. Evite isso