Relaxe, não é sobre você.

As histórias se repetem: o cliente que usa a foto da filha no outdoor, a famosa frase "eu decido pois meu público-alvo sou eu", o designer que se apaixona tanto por um trabalho que qualquer observação sobre ele é quase um xingamento a mãe. Indivíduos que, de uma forma ou de outra, se transferem para seu empreendimento quase como personagens de desenho animado que entram em uma máquina e trocam de corpo com alguém. E como toda boa "troca de corpos" da ficção ela segue regras claras: uma vez machucado o corpo ocupado, se machuca o indivíduo que está nele.

Explico. A partir do momento que seu empreendimento existe como forma de expressão sua, como extensão do seu ego, você se coloca em uma situação absurda de ansiedade e descontrole. Se o projeto falha é porquê você, em um nível pessoal, é falho. E o pior, ele vai falhar inevitavelmente, pois comete o mais grave erro do design: ignora seu usuário. Se é sobre você, onde está o seu consumidor?

Poisé. Na verdade é sobre ele. Sendo mais específico: é sobre o que a empresa que você montou tem a oferecer pra ele. Que não está nem aí pro seu sobrinho ou pra sua cor favorita. Ele quer que você melhore a vida dele, o faça mais feliz, produtivo, saudável, interessante, de bem consigo mesmo. A parte boa disso é que, quando você entende que sua empresa não é uma extensão do que você é, você passa a ter uma clareza especial que te faz tomar melhores decisões além de dar uma boa aliviada na ansiedade. Afinal, isso é só uma de várias coisas na vida que você faz, e se está fazendo mal é só aprender a fazer melhor.