Tecnologia & Educação

O modelo atual de educação está pronto para o novo mundo digital?

A formação profissional dos jovens precisa ser repensada para manter a competitividade em nível global.

Daniel Viveiros
Jul 26 · 3 min read
Photo by Joanna Kosinska on Unsplash

A velocidade com que a transformação digital impacta os negócios, o nosso estilo de vida e o relacionamento humano está cada vez maior. Esse cenário abre uma série de oportunidades para os profissionais criativos e resilientes. E riscos para muitos que não possuem as ferramentas para se conectar e adaptar às oportunidades que se desenham. Refletindo sobre o nosso modelo educacional, creio que nós estamos falhando em preparar a nova geração de profissionais de maneira sistemática.

Há 23 anos atrás, quando eu estava na idade de decidir a minha futura profissão, eu lembro com clareza das enquetes feitas em sala de aula pelos professores.

- “Quem aqui vai prestar Direito no vestibular? Medicina? Engenharia?”

Essas três áreas de interesse cobriam 80–90% dos estudantes da minha classe. Os outros poucos se dividiam basicamente entre Odontologia, Jornalismo e Administração de Empresas. Profissões tradicionais, para as quais o acúmulo de conhecimento e aplicação de processos eram a base para carreiras de sucesso. Eu tenho curiosidade de rodar a mesma enquete entre os jovens na idade pré-vestibular da atualidade. Eu adoraria ver algo como:

- “Quem aqui vai ser Dono de uma Startup? Digital Influencer? Gamer?”

Um momento! Onde está a base educacional para essas carreiras?

As relações profissionais mudaram. O comportamento humano mudou. Os modelos de ensino… esses, infelizmente, não mudaram. Apenas timidamente se atualizaram. Mesmo com todo o acesso à informação que temos hoje, continuamos presos ao mesmo conjunto de disciplinas, e a um processo de seleção que privilegia memorização de conteúdo didático e a aplicação disso em provas de múltipla escolha. Características de um profissional moderno como pensamento criativo, empreendedorismo, comunicação, apresentação em público e tecnologia aplicada são ignoradas. Mesmo no ensino superior, essas habilidades não são trabalhadas adequadas de maneira pervasiva.

Nos EUA, já tem empresa que percebeu esse gap e está explorando a oportunidade. Na semana passada, eu conheci a InnovaLab. O slogan deles é “We prepare students to succeed in a tech-driven world”. Conversando com os fundadores, eles me contaram que começaram levando executivos para visitar o Vale do Silício. Eles constataram que apesar do impacto inicial da visita, havia pouco desdobramento prático ao retornarem para o Brasil. Decidiram então experimentar levar jovens de 15 a 17 anos para um programa muito semelhante. O resultado, segundo eles, foi muito mais gratificante. Eles conseguem abrir os olhos e influenciar o futuro dessas pessoas.

Durante um período de 10 dias, os estudantes aprendem conceitos básicos de tecnologia (ML/AI, Blockchain, AR/VR etc), comunicação/storytelling e até mesmo fazem um pitch de vendas. Eu tive o privilégio de ser um dos mentores no último dia e fiquei impressionadíssimo com o que vi. Jovens propondo maneiras criativas de ajudar pessoas com depressão, atenuar o problema de sem-tetos e ajudar outros estudantes a acharem sua paixão.

Jovens aprendizes da InnovaLab visitando a CI&T Oakland, nos EUA

Não tenho nenhuma relação profissional ou interesse financeiro com essa empresa em particular. Eu fico apenas pensando: o que poderíamos construir, como nação, se pelo menos parte disso fosse trabalhado com seriedade durante os vários anos do ensino médio e fundamental?

Abraços!

Daniel Viveiros

Written by

Apaixonado por tecnologia e curioso com o impacto dela nas relações humanas e profissionais. Aprendiz em uma série de áreas, incluindo escrita.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade