A imersiva experiência de Twin Peaks: The Return

Nos tempos de hoje em que a Netflix praticamente domina o mercado de séries, lançando uma temporada toda de uma vez, e a principal série que continua nos padrões da TV tem roteiros e episódios vazados o tempo todo e uma repercussão nas redes sociais que não se precisa nem assistir para saber o que acontece, Twin Peaks chega com suspiro de alivio para tudo isso.

Participar dos grupos, discutir episódios sem a minima ideia do que esperar no próximo e sempre ser surpreendido foi uma experiência linda e ainda está sendo, já que pelo jeito que acabou tem coisa para discutir para sempre. Nunca achei que veria isso acontecer, experienciar uma série como ela deve ser experienciada, sem teasers pretensiosos e coisas do tipo. Além do The Search For The Zone que foi uma surpresa muito boa. Toda a estética do site, as informações contidas nele e até uns “segredos”, foi tudo muito genial, meus parabéns para quem teve a ideia e criou o site.

Teve aquele episódio que passou por engano e a imagem da Audrey, mas consegui perceber muito respeito dos fãs pelo trabalho do Frost e do Lynch acerca desses “vazamentos”.

Além dessa imersão interativa temos toda a estética lynchiana com o seu próprio poder imersivo, desde os longos takes dos personagens dirigindo na estrada, as cenas com eletricidade e todo o mistério em volta dela e a floresta de Twin Peaks, que sempre nos deixava no anseio de aparecer algo diferente. Essas cenas na floresta, inclusive, me lembrou o filme Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas, onde existe um trabalho de som parecido com o do Lynch, encarregado do design de som da série, que magistralmente torna essas obras uma experiência muito mais sensorial.

Depois de revolucionar a TV nos anos 90, Twin Peaks veio de novo ensinar como uma série e qualquer trabalho audiovisual, também, deve ser feito: de forma única e original. Que mesmo apresentando fan services e coisas do tipo, mantém tudo sobre controle numa estrutura que não dá o que o espectador quer e sim algo além do que ele quer, quebrando sua expectativa e transformando tudo isso numa experiência muito além da tela.