vida

Não tenho do que reclamar e não tenho porque ser ingrato. Tenho comida na geladeira, um teto sobre a minha cabeça, cobertores para colocar sobre mim quando a noite é fria e uma família para abraçar quando o coração aperta.

Mesmo assim, é impossível passar pela vida sem relembrar o passado e se preocupar com o futuro.

Frustração se mistura com ansiedade e, juntas, me impedem de fechar os olhos calmamente a noite.

Algumas noites são recheadas de paranoias, medos e incertezas.

Além de dolorosas, estas noites são duradouras.

Os minutos duram horas e as horas aparentam durar dias.

Não é um sentimento definido que domina a mente.

É como esperar um soco que nunca chega. É como um fantasma que me pressiona em direção ao chão. É como uma batida incessante das intermináveis inseguranças dentro de mim mesmo.

É nada e é tudo ao mesmo tempo.

O que já vivi se une com o que quero viver.

Nada é como lembro.

Nada será como espero.

Insegurança me consome e me define.

Não sorrir o tempo todo é ofensivo para as pessoas. Mesmo após uma explicação, a reação é a mesma: indiferença ao sentimento alheio.

Ninguém é igual. Todos são afetados de maneiras diferentes pelas mais diversas situações.

Mesmo que os outros digam que não, acredito que eu valho a pena.

Sei que o ser humano vale muito a pena e deve ser compreendido.