Entre ter e ser


Dentro do modelo capitalista vivemos para pertencer a alguma coisa. A lista dos aprovados na melhor Faculdade, o crachá da empresa que saiu na revista Exame, um cargo bacana no Linkedin, uma marca de roupa do shopping Cidade Jardim, ou até as postagens mais curtidas dentro na timeline do seu FaceBook.

O problema de pertencer a algo a partir do contexto de posse, é a sensação ou até o vazio de não SER, e a partir do momento que algo se quebrar ou se esgotar, a desconexão passa a ser inevitável. Como por exemplo um CEO a frente de uma grande multinacional, ele representa aquela marca, vive por ela, defende os seus objetivos e sua equipe. Mas a partir do momento que receber uma proposta maior, ou até a sua meta não for atingida ele simplesmente veste uma outra mascara baseada em um pertencimento muitas vezes vazio e que no fundo vai influenciar diretamente no seu resultado que é reflexo de uma satisfação interna, que nesse caso não é levada em conta.

Eu sou empreendedor, não porque comprei uma empresa, mas montei uma do zero. Eu sou velejador, porque aprendi desde os meus 4 anos vivendo com um dos melhores professores e velejadores, o meu pai que ser um apaixonado pelo mar é muito mais legal do que ser um profissional. Eu sou corintiano, não por causa de um plano sócio torcedor, mas pela simples paixão de sentir a minha força empurrando e influenciando um gol da vitória. Hoje vivemos em um mundo aonde a superficialidade do TER simplifica mas não substitui a profundidade e intensidade do SER.

Sadhu

Do outro lado do mundo, respeitando uma cultura e origem baseada na religião e não no dinheiro existem os sadhu “bom homem”. A origem da palavra vem de sadh que significa alcançar os objetivos, e nesse caso alcançar os objetivos e a sensação de pertencimento não está conectada a nenhum tipo de bem, já que os Sadhus são Sanyasis, ou renunciantes de todo e qualquer bem material, e não tenha duvida da felicidade e plenitude de SER desse povo.

Segundo pesquisa realizada na Universidade de Oxford, o índice de felicidade de uma pessoa que ganha $3.000,00 é igual a uma pessoa que ganha $20.000,00. Quanto mais o ser humano ganha mais ele sente falta de algo que nem ele sabe o que é. Tive a oportunidade uma vez de trabalhar com uma pessoa que era estagiaria mas colocava no cargo assistente, quando virou assistente se posicionava como gerente, de gerente passou a ser diretora, e quando diretora não tinha jeito, para os clientes ela já era dono. De fato a vontade de crescer e talvez a garra foram influenciadas pela força do TER, mas será que o último degrau para atingir a máxima satisfação chegou? Será que o Ronaldo não teve uma experiência sexual com um travesti buscando experimental o que ele não achou em todas as mulheres mais lindas, desejadas e poderosas do mundo? Será que esse anseio da busca, influenciado pelo modelo de economia que vivemos e somos treinados para seguir não esta deixando cada vez mais nós longe de nós mesmos.

Compartilho desse post para que cada um reflita, pegue uma folha e coloque no papel o que realmente você é pautado em conquistas, vitórias, aprendizados e porque não derrotas que vieram de dentro do seu verdadeiro eu.

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