Empire, o filme de uma só fotografia

Elvis, Marilyn Monroe, caixas de sabão em pó, latas de sopa de tomate, vacas, flores, filmes, fotos e hambúrguer com ketchup. A lista é bem maior, entre objetos e categorias existem também os filmes. Sleep, Kiss, Empire, Batman Dracula, Vynil. Vou até o final da lista, paro, volto e fixo o olhar em Empire (1964). Existe um Andy Warhol, para além das serigrafias, um cineasta (!?).
Empire é um filme experimental, uma tomada única em direção ao topo do Empire State Building, mais alto prédio da cidade de Nova York — EUA naquele período. O prédio é personagem e divide com o tempo o protagonismo de uma narrativa de anoitecer suave e duração superior a oito horas, revelando um instante decisivo em contínua atualização.
O filme possui a sintaxe da fotografia. Há somente um enquadramento, fixo, um anti plano-sequência, a câmera fotográfica com seu obturador aberto a procura de algo a ser eternizado. As horas passam e ele adquire o tempo do cinema, ou talvez, o tempo da vida real, onde o único objetivo possa ser o de fazer o espectador parar, olhar e sentir a escuridão da noite.
Empire supõe uma fotografia que nunca é fixada e imagem que não é estática é imagem-movimento. É filme.
