Como não deixar sua startup morrer

Menos de 5% das startups estarão vivas para soprar as velinhas do seu quinto aniversário.

Deixe essa idéia fermentar na sua cabeça um minuto.

Fazer uma startup dar certo não é fácil e, consequentemente, não é pra qualquer um. Primeiro você precisa montar uma equipe excepcional, depois você precisa construir um produto que seja bom o suficiente para atrair e reter clientes. E depois? Depois os astros precisam se alinhar para que você consiga, quase que simultaneamente, melhorar o seu produto, levantar investimento, convencer os melhores profissionais do mercado a se juntar à sua equipe e… fazer tudo isso sem deixar o dinheiro acabar.

Essa jornada louca invariavelmente deixa corpos no seu caminho. É a vida. Por isso, eu resolvi colocar no papel uma coisa ou outra que aprendi ao percorrê-la (espero chegar ao fim são e salvo, apesar de ralado e cansado) sobre como se preparar para que suas chances como fundador(a) aumentem e o mundo possa se deliciar na glória do sucesso das suas invenções.

Regras número um, dois e três: Leia

É claro que muita teoria e pouca prática não vai levar ninguem a lugar algum, mas isso não significa que se deva pular a parte teórica e ir direto pro “mão-na-massa”. (Inclusive, uma das características mais incríveis do mercado de startups é o quão aberto ele é com relação a informação, melhores práticas, causos e causas, etc. Como via de regra, quem já passou por uma experiência marcante gosta de compartilhar, seja ela boa ou ruim. Então, bebamos da fonte! Mas, voltando à leitura…)

Dos livros que já li sobre o assunto, alguns foram especialmente marcantes, seja pela natureza dos insights compartilhados ou às vezes pelos histórias de “trincheira” que retratam a brutalidade da vida de fundador/CEO de startup. Abaixo, seguem 2 dos livros que mais recomendo sobre o tema, assim como os pontos que mais me marcaram de cada um.

Versão original (em inglês) do livro De Zero a Um

De Zero a Um — Peter Thiel

— Fundador do Paypal, um dos primeiros investidores do Facebook

Esse livro é um tapa na cara atrás do outro. Para um empreendedor, levar uma chacoalhada dessas de vez em quando é muito bom. Me fez pensar diferente sobre conceitos que já estavam bem sedimentados na minha cabeça:

1. The contrarian view

No que é que pouquíssimas pessoas concordam com você? Parece uma pergunta estranha né? Mas, às vezes as melhores oportunidades aparecem quando você está remando contra a maré. Por exemplo: em conversas com gente do mercado de startups nos primeiros meses da Parafuzo, muitos não conseguiam entender por que nós tínhamos tanto interesse em entrar no segmento do serviços domiciliares. Argumentavam que era um segmento totalmente informal, offline, baseado em relações pessoais fortes e que seria quase impossível gerar adesão a uma nova plataforma de tecnologia.

Mas nós enxergávamos de outra forma: queríamos colocar um smartphone na mão de cada diarista do Brasil e ajudá-las assim a encontrar mais trabalho, de qualidade e bem-remunerado, através do aplicativo da Parafuzo. Até hoje seguimos em frente com nossa missão.

2. Competition is for losers

Economistas tendem a valorizar bastante competição. Ocorre que na competição perfeita, os lucros tendem a zero e as empresas ficam incapacitadas de investir no longo prazo para criar novos produtos e serviços que gerem experiências mágicas. Pense em linhas aéreas: são essencialmente iguais e nenhuma delas consegue se diferenciar perante o consumidor. O resultado? Nenhuma consegue ganhar dinheiro no longo prazo.

Como empreendedor é importante pensar: em quais mercados eu vou conseguir criar algo realmente novo e diferente do que já existe? Mais do mesmo provavelmente não vai gerar retorno e vai fadar a empresa à mesmice.

The Hard Thing About Hard Things — Ben Horowitz

— CEO da Loudcloud, sócio da Andreessen Horowitz, um dos maiores VCs do mundo

1. Cultura & pessoas

“One of the great things about building a tech company is the amazing people that you can hire”

Quando comecei minha carreira na Monitor Group, boutique de consultoria americana, uma das coisas que eu mais gostava era que na grande maioria das ocasiões, eu era a pessoa menos inteligente da sala. Pode parecer intimidante mas o prazer de poder aprender com tanta gente boa mais do que compensava o frio na barriga. Parte do motivo que escolhi montar a Parafuzo foi para poder continuar trabalhando com pessoas excepcionais que acreditam na nossa missão e no poder transformador da tecnologia.

“Take care of the people, the products, the profits. In that order.”

Não tem como falar demais sobre esse ponto. A cultura da sua empresa e o engajamento e motivação da equipe são dos fatores mais importantes para o sucesso de uma empresa. Se as pessoas não estiverem felizes, empoderadas e sentindo que estão fazendo o melhor trabalho de suas vidas, o resto não importa. Pra mim, como fundador e CEO, é sempre bom ler e escutar de pessoas que tratam a cultura de suas empresas como um dos seus principais ativos.

2. Saúde/força mental (ou psicologia do CEO)

O trabalho do fundador/CEO de uma startup nunca é fácil. Mas um dos apectos mais difíceis é o psicológico. Aqui é um jogo de você contra você mesmo. Não interessa o que tá acontecendo lá fora. A sua cabeça tem que estar no lugar, e ela nem sempre estará. Por isso, é tão importante ter uma boa rede de apoio composta de pessoas que realmente se preocupam com o seu bem estar e seu sucesso. O Ben fala de ter pessoas que você sabe que realmente vão vibrar com suas conquistas mas também de ter aquela pessoa que você vai poder ligar quando der merda e você estiver desesperado, sabe?

Na Parafuzo, eu tive a sorte de conseguir trazer para equipe co-fundadores incríveis que não só me ajudam a gerir a empresa mas que também me apoiam nos momentos difíceis (que não são poucos). Mas eu também tenho um ombro amigo da minha mulher pra me apoiar à noite toda vez que a pressão atinge uma nova máxima. E eu também conversei com uma ótima psiquiatra quando precisei conversar com alguém que pudesse me dar uma opinião imparcial, de alguém que não me conhecia e não conhecia nada de negócios. Obrigado, Dra. Suzana!

(Abrindo um parêntese aqui: depressão é coisa séria e também pega empreendedor. Ninguém gosta de falar do assunto mas, ele tá aí. Se você não estiver bem, procure ajuda. Você não está ficando louco, é que trampo é nível hard mesmo.)

Considerações finais

Esses são dois dos livros que realmente me marcaram e, sem dúvida, ajudaram em momentos cruciais da minha jornada empreendedora. Espero que as dicas e informações que compartilhei aqui possam ser úteis de alguma forma. Se quiserem conversar mais sobre qualquer um desses assuntos, é só me dar um toque aqui no Medium ou no eduardo [at] parafuzo.com

Caso tenha interesse em conhecer mais sobre a Parafuzo, nós ficamos em www.parafuzo.com (e estamos contratando. Se você é muito fera no que faz e se identifica com a nossa missão, nós queremos te conhecer. Manda um email pra RH@parafuzo.com e vamos conversar.)

Se curtiu, dá um joinha abaixo pra gente espalhar esses livros e essas vaguinhas aqui na Parafuzo ;)

To infinity and beyond! (como diria Buzz Lightyear)