Desculpem o transtorno, eu realmente PRECISO falar do Renato.

Não conheci ele no jazz. Na verdade, nem o conheci. Conheci a sua obra, que também não é de jazz.

Eu devia ter uns 7 ou 8 anos e achava incrível uma música cujo título trazia meu nome. Era fascinante.

Mais velho, com uns 15 anos, decidi aprender a letra de Faroeste Caboclo. Aprendi. Sei até hoje. Aliás, rola um vídeo meu cantando essa música num bar aí pelo Facebook.

Mas foi com meus 16 anos que eu realmente decidi ver quem era Renato Russo. Entrei de cabeça na história dele. Nas letras, canções, poemas. E o cara que, até então, só tinha me contado a história de João de Santo Cristo e do casal Eduardo e Monica, estava me ensinando muitas coisas.

Com 18 anos, ouvindo Teatro dos Vampiros, um simples verso me deu uma inspiração para o meu primeiro textão. Dali, vieram outros. E dos outros, essa mania de escrever.

Foram incontáveis as vezes que chorei e sorri ouvindo suas poesias cantadas, por ele ou por outros tantos gigantes da música, como Barão Vermelho, Cassia Eller e Paralamas do Sucesso. Experimente ouvir (e viver) Índios ou Por Enquanto. Ou você se emociona ou não é humano.

Renato Russo é dono do refrão mais bonito da música brasileira. Talvez você não ache isso porque, de tanto que a música é reproduzida, você nunca tenha notado a beleza das palavras. Em Pais e Filhos, ele nos ensina que precisamos amar a todos como se não houvesse amanhã. Porque, realmente, não há. É só parar pra pensar.

Mas Renato Russo não era só poesia e coisas lindas. Se você colocar a clássica Que País é Esse ou Perfeição pra tocar nos dias de hoje, tamanha é sua atemporalidade, ninguém ousaria dizer que a música foi composta há mais de 20 anos.

Tá aí. 20 anos. Foi no dia 11 de outubro de 1996 que Renato fechou as cortinas do espetáculo pra compor lá em cima. Por isso, a minha homenagem.

Eu queria fazer um daqueles textos geniais todos cheios de referências às músicas do Renato, mas deixemos a genialidade pro homenageado do dia. Nada ia chegar perto do que ele merece. É realmente muito difícil falar de um dos três maiores poetas da musicas brasileira (na minha opinião).

Voltemos aos meus 16 anos. Eu ia pro colégio ouvindo Legião Urbana sem parar. Lembro que, todos os dias, eu ouvia Tempo Perdido. Renato, com sua voz inconfundível, fazia questão de me lembrar todos os dias que “todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou”.

O tempo passou, Renato. Passou pra mim. Passou pra você. Passa pra todo mundo. Para as suas musicas, felizmente, ele não passa. Nem vai passar. Sua música é eterna, mestre. A mensagem, no final das contas, é positiva. Afinal, temos todo o tempo do mundo.

Obrigado.

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