Tema 17: Você entra em sua casa e ela está completamente diferente — móveis, decoração, tudo mudado. E ninguém está em casa.


Vamos para casa?

Era um fim de tarde de uma quarta-feira sem sal. José estava sem sua chave, mas mesmo assim arriscou abrir a porta, no caso de estar destrancada. E estava, para sua sorte.

José, contudo, não esperava uma coisa: estava tudo completamente diferente. Móveis, decoração, tudo mudado.

“Maria Tereza?! Toni?! Alguém?” — Gritou. Ninguém respondeu.

Já conhecendo seus caminhos, mesmo estranhando toda a mudança feita em apenas um dia, José se dirigiu ao quarto. Realmente, estava tudo diferente. Cada cômodo, cada sala, cada detalhe da casa. Tudo diferente.

Toni tirou seu sapato e desceu descalço, como sempre gostou de fazer. Abriu a geladeira (notou que as sua esposa havia comprado muito mais salada do que de costume) e pegou uma cerveja. No primeiro gole, cuspiu.

“Sem álcool? O que está acontecendo?”

Jogou a lata fora e voltou para o quarto, onde tirou sua roupa e deitou na cama.

“Senhor! Senhor, acorde!” — Uma voz doce como a de Maria Tereza o estava acordando.

“Quem é você? O que você está fazendo em minha casa?” — Perguntou assustado.

“Senhor, seu filho Toni ligou. Estava preocupado, mas imaginou que você pudesse ter voltado aqui por engano.”

“Engano? Olha, minha senhorita, me respeite! Eu moro aqui!” — Estava se sentindo completamente desaforado nesse momento.

“José, você já não mora aqui há anos, quando vendeu sua casa para pagar o tratamento de sua esposa.”

“Maria Tereza? O que ela tem?”

“Toni explicará tudo quando chegar.”

“Mas o que aconteceu? O que aconteceu com minha Maria Tereza?”

“Senhor, Maria Tereza faleceu por causa de câncer no pulmão há três anos.”

José ficou estático. Assustado. Como ele não sabia disso? A campainha tocou. Provavelmente seria Toni.

“Pai! Aí você está.”

“Toni?” — Nada mais fazia sentido.

“Pai… vamos para casa?”

Toni o puxou pela mão. José estava confuso demais, mas pôde ouvir seu filho falar com a moça de voz doce:

“Me desculpe… Desde que minha mãe faleceu a doença dele agravou. Já fico feliz quando ele consegue se lembrar de mim…”

Toni abraçou seu pai e andaram lado a lado até o carro.

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