Homens, permitam a enxurrada do choro

Esse texto é mais um reflexão sobre o processo interno sutil que boa parte dos homens ainda teimam em ignorar, infelizmente sofrendo drásticas consequências ao longo da vida. Sim, no auge do desespero é preciso permitir que o choro venha como uma enxurrada, pois é pra lavar mesmo liberando tudo que precisa ser liberado, transformado.

Homem! Já parou para pensar qual foi a última vez que você sentiu alguma emoção ou sentimento. Lembra-se qual foi a última vez que deixou suas lágrimas caírem, seja por qual motivo for? Qual foi a última vez que você quis muito chorar, mas segurou se sentindo envergonhado? Saiba que não é vergonhoso assumir suas emoções, que muitas vezes podem vir carregadas de choros trêmulos e soluçantes.

Saiba você, grande homem, que sentir isso não coloca em “risco sua masculinidade” ou status social. Você deve ter ouvido desde criança que homem não chora, que homem tem que ser macho (…eu digo machucado…), que homem não expressa sutileza sentimental e toda essa baboseira. Você com certeza já ouviu essa doutrinação dentro e fora de casa, ou seja, da mãe, das primas, amigas e até de namoradas ou esposas.

Homem! Estou aqui para dizer que você pode ser verdadeiro consigo mesmo, que você pode ser equilibrado e não mais apartado da sua própria plenitude divina. Isso significa reconhecer que é um ser integrado com as forças masculinas e femininas. Sim, femininas, e isso não te torna uma “mulherzinha”. Somos criados com as duas polaridades e a predominância de apenas uma gera grande desequilíbrio.

Hoje eu quero apenas te fazer UM convite: o de chorar. Chore copiosamente o quanto necessitar. Eu sei que pode ser difícil se expressar assim perto de outras pessoas, principalmente mulheres, até porque o peso da ditadura do macho forte e robusto não deixa. Mas a partir de hoje vai deixar. A priori, chore para si mesmo, diante do espelho, olhando em seus próprios olhos, reconhecendo que você tem o poder de liberar a plenitude do seu Ser. Chorar é ser forte, é dar voz ao grito do coração que clama por liberdade de expressão. Permita-se reconhecer-se sendo, sim, um chorão assumido.

Homem! Chega de fingimento. Chega de colocar máscaras e de continuar esculpindo mais delas. Vivemos uma época de grandes mudanças, internas e externas. Chegou o momento de darmos vazão aos clamores sutis de nossas almas, pois não vale mais a pena cair na bestialidade da violência, que é uma forma explosiva causada pela repressão das emoções. Não vale mais a pena sair por aí se destruindo na bebedeira e nas drogas pesadas, que são outras formas ruins de tentar liberar emoções presas. Há outros caminhos, há outras formas não danosas.

Mas antes de prosseguir empreendendo em alguma nova atitude ou caminho, peço que chore. Se não conseguir, solicite que o choro venha e, quando vier, deixe sair de peito e punhos abertos. Se abra, se sinta. Essa é uma das terapias mais poderosas que nós homens precisamos reaprender. Está se sentindo só? Chore. Tá se sentindo pra baixo? Chore. Terminou um relacionamento? Chore. Foi demitido? Chore. Está com crise existencial? Chore. Está com dor física? Chore. Viu um filme emocionante? Chore. Não importa a situação, meu amigo. Deixe o coração gritar. Não precisamos mais deixar as lágrimas correrem apenas quando é socialmente “permitido”, ou seja, em casos extremos de doença ou morte.

E das ruínas vem a transformação. Permita-se sentir o caos benéfico dessa enxurrada de lágrimas. Vá abrindo aos poucos a torneira sem autocrítica ou punição. A leveza e clareza mental, emocional e corporal que vem como resultado não tem preço. Ser homem é ser completamente sensível, forte, sutil, autêntico, respeitoso, masculino, feminino, verdadeiro, integrado…

Grande homem, reflita. Conheça a ti mesmo. As lágrimas libertam!