Blá-Blá-Blog! Fiat Blog!
Acabo de constatar (como se nunca houvesse sabido) o motivo pelo qual o ato de blogar é um vício. Não sem antes discorrer sobre o mesmo termo de origem, a palavra blog.
O termo acima se origina da contração de weblog, neologismo norte-americano de fins do séc. XX (quão distante nos encontramos dele!) que significa, mais ou menos, “registro via internet”. Funciona como um diário, um bloco de anotações que, no entanto, a pessoa compartilha com o mundo inteiro, na maioria dos casos.

Mas, por que as pessoas que escrevem em blogs se tornam viciadas neles? Por uma infinidade de motivos possíveis, ou uma combinação ampla deles, as pessoas não conseguem deixar de ler seus conteúdos e de desejar escrever através deles, dividir suas experiências pessoais, contribuir com seu conhecimento para a resolução de problemas ou para o simples prazer de se sentirem inseridos no grupo do Grande Irmão, sabendo que estão sendo observadas durante o tempo todo.
Mas, acima de tudo, uma razão psicológica me chama a atenção: a de que os pensamentos, em suma, estão cada vez mais caóticos dentro de nossas cabeças e, como consequência, registrá-los, de forma ordenada e elaborada, recheada de outros conteúdos agregados, enriquece nossa experiência e reflexão, ajudando a acalmar essa nossa inquietude dos sábados à tarde e a frustração imensa da rotina que é viver só conosco mesmos.
Nós, atualmente, não suportamos mais ficarmos sozinhos conosco. Precisamos externar essa frustração por nossa mediocridade inconfessável através de alguma atividade coletiva que nos aproxime, ainda que em alguns milímetros, por espectros, da conduta dos grandes heróis que jamais imaginaram que, um dia, viria a existir uma “coisa” chamada internet.
Mas, os heróis se foram do palco das lendas. Hoje, eles agem anonimamente, na vida cotidiana dos necessitados e sem esperanças. Nós, entusiastas da era digital, frustrados conosco mesmos, nos deixamos hipnotizar pela rotina sem retorno deste mundo virtual: pensar com os dedos, falar com as máquinas, amar com sinais luminosos, viver como pirilampos.
Fiat Blog!