A desinformação como efeito do novo ecossistema de informações
“A liberdade de imprensa existia apenas para quem tivesse uma prensa. Agora, todos nós temos.” (A. J. Liebling)
O ecossistema da informação mudou. Se até pouco tempo atrás nós buscávamos as informações sobre o mundo em alguns poucos veículos noticiosos — os jornais diários, os telejornais, as rádios -, hoje a informação chega a nós de forma caótica, por meio de links compartilhados nas redes sociais, áudios viralizados no aplicativo de mensagens, memes que não sabemos de onde vêm e nem para onde vão. É um cenário cada vez mais dominado pelo que chamamos de “curadoria não-profissional”. Isso não necessariamente é ruim; sem dúvida este novo ambiente pode contribuir para democratizar o acesso à informação. No entanto, a desordem informacional que vivemos é provocada, em grande parte, por esses fluxos multidirecionais da informação. Ou, em outras palavras, está ficando mais difícil identificar quais informações são confiáveis e quais não são.

Por isso, mais do que nunca, é importante investir na formação de leitores críticos, capazes de avaliar a informação que recebem, de forma a minimizar os riscos de trocar, como disse o pesquisador Eli Pariser, “um sistema que tinha um senso bem definido e debatido de suas responsabilidades e funções cívicas por outro que não tem qualquer senso ético”. Mesmo com suas falhas, a imprensa tradicional é calcada em um sistema fortemente dependente da credibilidade, e isso a obriga a manter uma estrutura de pessoas e tecnologias a serviço da veracidade factual das informações que divulga.
Mas o ecossistema da informação ficou mais complexo: por um lado, nós, como leitores, entendemos que a imprensa tradicional muitas vezes sofre por limitações corporativas — os veículos de comunicação fazem parte de empresas jornalísticas, que, por sua vez, têm lá os seus interesses a defender. Por outro lado, a alternativa que se apresenta — os meios digitais — sofre com essa falta de senso ético apontada por Pariser, e isso não necessariamente significa que as informações que circulam nos canais digitais são disseminadas de má fé, mas apenas que sua visibilidade é condicionada por filtros não-humanos e disputada por curadores não profissionais (embora em alguns casos a má fé também seja um ingrediente a ser considerado).
É por isso que os especialistas têm se preocupado de maneira crescente com a formação de leitores críticos. Não adianta lutar contra o cenário que se apresenta; ele veio para ficar. Assim, a única solução eficaz para combater a desinformação é educar o público para consumir informações de forma crítica.
Uma das maneiras de se formar leitores críticos é a chamada media literacy, termo que já foi traduzido para o português como alfabetização mediática e informacional. Em um amplo estudo realizado com estudantes norte-americanos de 15 a 27 anos, os pesquisadores Joseph Kahne e Benjamin Bowyer testaram a capacidade dos jovens de diferenciar notícias verdadeiras de falsas, e concluíram que ter conhecimentos sobre política não aumenta a possibilidade de distinguir uma da outra — na verdade, os mais politizados tendem a acreditar mais fortemente em argumentos que confirmem suas opiniões, sejam falsos ou verdadeiros. Ou seja, não basta ter uma boa formação política; é preciso desenvolver competências específicas que possibilitem a leitura crítica das notícias.
A Ecoar Educação para Mídias nasceu da crença de que o melhor lugar para desenvolver essas competências é a escola. Nossa missão é fazer ressoar o conhecimento sobre a informação de qualidade, dentro da comunidade escolar.
Nós somos a Ecoar:
Marlene Duarte — Jornalista, pós-graduada em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Atua há mais de 10 anos na área de comunicação digital como sócia-diretora da Agência Febre. Liderou projetos e cuidou da estratégia digital para clientes como TV Globo, Fox Film do Brasil, Sony Pictures, Universal Filmes, entre outros. No começo da carreira, passou por grandes redações, como o jornal O Globo e a revista Veja Rio, e foi correspondente em Paris.
Mônica Chaves — Jornalista com 18 anos de experiência em comunicação digital, mestranda em Comunicação Social pela PUC-Rio. Foi professora da Ucam-Ipanema, nas disciplinas Cultura Digital e Produção de Conteúdo; coordenadora de canais digitais da Anbima, associação que representa as maiores instituições financeiras do Brasil; e gerente de conteúdo do Z10, o primeiro site brasileiro voltado exclusivamente ao público jovem, antes de a “bolha” da internet estourar.
Simone Intrator — Jornalista, mestre em Comunicação Social pela UFRJ. Psicopedagoga pelo Pró-Saber. Trabalhou mais de 20 anos na Infoglobo, onde foi editora assistente de publicações como Revista O GLOBO e site do RIO. Assinou a coluna Sopa de Letras, no Globo, sobre livros infantis e juvenis. Foi Gerente de Produtos, à frente de projetos como Rio Gastronomia, Prêmio Faz Diferença, Educação 360, Rock in Rio. Publicou dois livros sobre o Rio de Janeiro pela Editora Papelera Cultural.
