Valentinas

Edson Mendes
Aug 23, 2017 · 3 min read

Dizem que a seguinte frase foi dita uma vez por Olga Benário: “Em momentos difíceis é preciso pensar em alguma coisa bonita”. Ultimamente, tenho percebido que encontrar coisas bonitas, mesmo em momentos difíceis, pode ser mais fácil do que parece. Achei importante dividir um deles.

Impressionante como acompanhar alguém crescer de perto pode nos fazer perceber e vivenciar ou até reviver sintomas e reproduções das relações opressoras de uma maneira totalmente inusitada. A visita de minha irmã Valentina ao Museu Aeroespacial foi especial demais pra ela, e confesso que me colocou muito emocionado a alegria com a qual ela me contou sobre o passeio.

Ela se impressionou, muito, com a primeira mulher a chegar no espaço em 1963, que inclusive carrega o mesmo nome que ela. Valentina Tereshkova conseguiu mexer forte com minha irmã, que ficou impressionada com a primeira mulher que alcançou o além dos céus, partindo da União Soviética.

Em tempos de discussões sobre seguir o caminho de uma luta com pautas de minorias e outros movimentos ou não, é impossível não perceber como o grande feito da União Soviética conseguiu mexer muito forte, hoje, com minha irmã, ainda muito nova. Morando hoje em um país com taxas altas de feminicídio, estupro, diversos crimes e episódios de opressão a mulher, onde tenta-se justificar agressões de um aluno a uma professora mulher pelo posicionamento político dela, acabou encontrando uma inspiração do antigo regime socialista soviético. É interessante, inclusive, a maneira como ela percebeu o ódio a Dilma, que ela sabia ser a primeira presidenta mulher do Brasil, em muitos momentos pautados por machismo e dificuldade em aceitar uma mulher na posição que ela estava.

“Valentina primeira mulher a ir al espaço. Desenho em preto e branco.”

“foto de Valentina colorida como eu acho que ela é”

Os desenhos que ela fez espontaneamente, de Valentina para Valentina, são uma demonstração forte da importância da representatividade. Algo que, até mesmo eu como LGBT em um país sem tantos exemplos LGBT em posições como deputado federal, senador ou presidente, só consegui perceber quando acompanhei a manifestação dela sobre o assunto. Uma manifestação pura e linda como só crianças conseguem fazer.

Não conheço muito sobre Valentina Tereshkova. O pouco que sei é que ela ainda é viva e deputada na Rússia. Provavelmente, tenho diferenças em posicionamentos políticos, visto que ela faz parte do partido Rússia Unida, mas não posso deixar de reconhecer e até mesmo agradecer pela força e coragem que essa mulher teve e tem.

As coisas bonitas estão aí. É a partir delas que podemos transformar e lutar.

Спасибо, Valentinas!

)

Desculpe o Auê eddiemendes94@gmail.com

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